"Tenho lamento pessoal por este resultado. Gostava de ter conquistado de novo a CML", disse Fernando Medina, no Pátio da Galé, em Lisboa. No discurso frente aos militantes, o autarca não avançou razões para a derrota, mas assumiu que houve "incapacidade para mostrar aos lisboetas" que a sua agenda e equipa eram "as melhores" para a cidade. Questionado pelos jornalistas, Fernando Medina não estendeu a derrota ao Partido Socialista e reiterou que a perda da Câmara de Lisboa era uma "derrota pessoal e não transmissível".

Medina criticou ainda a esquerda, que acusou de se ter concentrado mais em si do que em combater a direita: "Cuidei sempre do que era essencial, que era avisar que segundo a lei autárquica quem ganha é quem tem mais votos. Sondagens não ganham eleições."

"Até ao dia de hoje nenhuma sondagem dava esse resultado", disse em resposta aos jornalistas, acrescentando depois que "nunca subestimou um adversário". "Por um voto se ganha, por um voto se perde", disse.

Pouco depois, no discurso de vitória, Carlos Moedas começou por dizer "ganhámos contra tudo e contra todos" e lembrou que as sondagens erraram e deixaram muito a desejar: "aqui estou, ganhei a Câmara de Lisboa."

Afinal, as sondagens deram sempre a vitória a Medina?

Sim. O socialista esteve sempre em vantagem em relação ao candidato da coligação PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança. O Polígrafo consultou algumas das principais sondagens feitas nos últimos meses.

Em abril, umas das primeiras sondagens realizadas para as autárquicas mostrava que Carlos Moedas não ia fazer sombra ao atual autarca. De acordo com o inquérito feito pela Intercampus para o jornal "Novo", Fernando Medina conseguia 46,6% e Moedas não ia além dos 25,7%.

A 23 de julho, uma sondagem ISCTE/ICS feita para o "Expresso" e para a SIC colocava o candidato à beira da maioria absoluta. Na altura, Medina recolhia 42% das intenções de votos, equivalente à percentagem obtida em 2017, bem acima dos 31% de Carlos Moedas, que assim reeditava o resultado da soma do PSD e do CDS há quatro anos.

A 30 de agosto, Fernando Medina quase duplicava as intenções de voto de Carlos Moedas na Câmara Municipal de Lisboa, de acordo com uma sondagem da Aximage para "Diário de Notícias", "Jornal de Notícias" e TSF. O socialista alcançava 51% contra 27% de Moedas.

Um dia depois, a 1 de setembro, a sondagem da Eurosondagem/Grupo Libertas para o "Nascer do Sol" dava também vantagem a Medina, com 38,6% dos votos, sobre Moedas, com 26,9%.

Uma semana depois, a 8 de setembro, a primeira sondagem autárquica da TVI, em Lisboa, dava a vitória a Fernando Medina com 39,8% das intenções de voto contra Carlos Moedas que ficava atrás do socialista com menos 7,2% (32,6%).

No dia 22 de setembro, a sondagem do Centro de Sondagens da Universidade Católica Portuguesa (CESOP) para o "Público" e a RTP garantia 37% das intenções de voto a Fernando Medina e apenas 28% a Carlos Moedas. Neste estudo de opinião, 74% dos inquiridos acreditavam na vitória da coligação Mais Lisboa (Fernando Medina), contra 4% que atribuíam o triunfo à coligação Novos Tempos (Carlos Moedas).

A 23 de setembro, uma nova sondagem da TVI/Pitagórica indicava que se mantinha a vantagem de Medina que surgia com 40,6% das intenções de voto e Carlos Moedas com 33,1%.

O único momento que colocou os dois candidatos lado a lado foi quando saíram as primeiras projeções das televisões na noite eleitoral. Todas sondagens televisivas apontaram para um empate técnico entre Fernando Medina e Carlos Moedas na corrida para a Câmara Municipal de Lisboa. No fim da noite, não foi necessária uma moeda para desempatar o resultado, com Carlos Moedas a impedir a quinta vitória socialista na autarquia da capital.

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