O ministro das Finanças, Fernando Medina, em declarações proferidas no Funchal, Madeira, a 30 de novembro, enalteceu que "o esforço que nós fizemos durante o ano de 2022 vai-nos permitir fazer com que Portugal deixe de ter esta posição de terceiro destacado no pódio dos países mais endividados e que Portugal integre um pelotão onde estão, por esta ordem, Espanha, França e Bélgica".

Segundo reportou a Agência Lusa, na mesma intervenção, Medina sublinhou que "nós teremos este ano a maior redução do peso da dívida pública no produto desde que há qualquer tipo de registo".

"Ouviremos sempre os críticos desvalorizarem, dizerem que foi a economia, que foi a inflação. É verdade, tudo isso ajuda. Mas a verdade também é esta: se tivéssemos decidido gastar o dinheirinho todo, a dívida tinha-se mantido como está", defendeu.

Confirma-se que Portugal terá "este ano a maior redução do peso da dívida pública no PIB"?

De acordo com os últimos dados do Banco de Portugal, a maior redução do peso da dívida pública no Produto Interno Bruto (PIB) desde 1995 registou-se no ano de 2021, quando baixou em 9,4 pontos percentuais - de 134,9% do PIB no quarto trimestre de 2020 para 125,5% do PIB no quarto trimestre de 2021.

No presente ano de 2022, a dívida pública em proporção do PIB tem continuado a diminuir: para 124,7% no primeiro trimestre, 123,4% no segundo trimestre e 120,1% no terceiro trimestre.

Para superar a escala de diminuição de 9,4 pontos percentuais no ano de 2021 terá que baixar ainda mais para 116% do PIB no quarto e último trimestre de 2022, cujos dados ainda não foram apurados.

  • Dívida pública saltou de 60% para mais de 100% do PIB durante governação de Sócrates?

    Em publicação no Facebook recorda-se uma suposta citação de António Costa que, em data incerta, terá dito que se orgulha "da visão estratégica e do impulso reformista com que, sob a liderança de José Sócrates, assumiu o Governo em 2005". E associa-se a declaração a um dos legados da governação de Sócrates: "passar a dívida de 60% do PIB para mais de 100% e deixar os portugueses na bancarrota."

O Polígrafo questionou o Ministério das Finanças sobre esta matéria, tendo obtido a indicação de que Medina, na declaração em causa, "teve por base uma análise comparativa dos Draft Budgetary Plans entregues pelos vários Estados-membros à Comissão Europeia".

"Segundo as estimativas constantes dos documentos dos diferentes países, em 2022, Portugal apresentará a quarta maior dívida pública da Zona Euro (115% do PIB), atrás da Grécia (169,1%), Itália (145,4%) e Espanha (115,2%). Em 2023, segundo as mesmas previsões, Portugal será o quinto país com maior dívida pública com 110,8% do PIB, ultrapassando a França (111,2%) e aproximando-se da Bélgica (108,2%)", informa o Ministério das Finanças.

Ou seja, Medina baseia-se numa estimativa que aponta para uma dívida pública de 115% do PIB no final de 2022. A confirmar-se, sim, será a maior descida anual (em 10,5 pontos percentuais) desde pelo menos 1995, superando a diminuição de 9,4 pontos percentuais registada em 2021.

Em declarações ao Polígrafo, o economista João Duque diz que este cenário é possível, uma vez que "o PIB aumentou muito devido à inflação".

"O rácio diminuiu, mas não porque reduziu a dívida. Ficaria mais feliz se se reduzisse o valor nominal da dívida", ressalva.

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