"Medina nomeou a sua mulher como adjunta", destaca-se no título de uma publicação da página "Tuga Press", datada de 8 de maio de 2019. "Não são só os familiares de Carlos César que fazem furor nas relações familiares do Governo. Há pouco tempo, Fernando Medina, presidente socialista da Câmara Municipal de Lisboa, nomeou a sua própria esposa. O atual presente da Câmara Municipal de Lisboa decidiu que Stéphanie Sá Silva iria ser sua adjunta. O problema? É casado com ela", denuncia-se no texto.

A publicação em causa está a tornar-se viral nas redes sociais e vários leitores do Polígrafo solicitaram uma verificação de factos. É verdade que Fernando Medina "nomeou a sua mulher" como adjunta na Câmara Municipal de Lisboa?

De facto, no dia 2 de abril, o jornal "Sol" indicou que "em 2009, Stéphanie Sá Silva foi nomeada adjunta de Fernando Medina, que era então secretário de Estado Adjunto da Indústria e do Desenvolvimento. Ou seja, durante pouco mais de dois anos, Stéphanie Sá Silva foi adjunta daquele que é hoje o seu marido. A advogada Stéphanie Sá Silva tem ainda outro laço familiar a membros do Governo: é filha de Jaime Silva, ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas durante o primeiro Governo de José Sócrates".

Mais, "a 1 de maio de 2018, Stéphanie Sá Silva assumiu funções como diretora do departamento jurídico da TAP. A sua entrada na companhia aérea portuguesa foi através de convite do acionista privado, Atlantic Gateway, 'tendo em conta a experiência com aviação, o conhecimento da realidade da TAP e excelente desempenho demonstrado', explicou ao 'Sol' fonte oficial da companhia aérea que diz que a advogada assumiu o cargo depois da 'aposentação da anterior diretora'. Quando Stéphanie Sá Silva entrou na TAP já Diogo Lacerda Machado - amigo de longa data de António Costa que foi consultor do Executivo - tinha sido nomeado como administrador não executivo da TAP", apontou o mesmo jornal.

No mesmo dia da publicação desse artigo, Medina explicou que "não conhecia a atual mulher quando a nomeou" como adjunta em 2009. "Em 26 de novembro de 2009, há quase 10 anos, nomeei para o meu gabinete Stéphanie Sá Silva, advogada especialista em matéria de concorrência numa reputada sociedade de advogados, não tendo com a mesma qualquer relação ou conhecimento pessoal prévio", escreveu Medina na sua página oficial no Facebook.

Ora, a publicação da página "Tuga Press" baseia-se nesse artigo do jornal "Sol" (publicado inicialmente no jornal "i", aliás), mas confunde e mistura os dados, concluindo falsamente que Medina "nomeou a sua mulher como adjunta" na Câmara Municipal de Lisboa. De 2009 no cargo de secretário de Estado Adjunto da Indústria e do Desenvolvimento passa para 2019 no cargo de presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Há um desvio temporal de uma década na publicação da "Tuga Press".

Por outro lado, no mesmo dia da publicação desse artigo, Medina explicou que "não conhecia a atual mulher quando a nomeou" como adjunta em 2009. "Em 26 de novembro de 2009, há quase 10 anos, nomeei para o meu gabinete Stéphanie Sá Silva, advogada especialista em matéria de concorrência numa reputada sociedade de advogados, não tendo com a mesma qualquer relação ou conhecimento pessoal prévio", escreveu Medina, em publicação na rede social Facebook.

Medina garantiu também que "em 31 de janeiro de 2011, por pretendermos ter uma relação pessoal, Stéphanie Sá Silva pediu a exoneração". Nessa altura, a atual mulher do autarca "regressou ao seu lugar de origem, na mesmíssima sociedade de advogados que integrava antes de ter sido nomeada”.

Em suma, a publicação da página "Tuga Press" é claramente falsa. Com a agravante de muitos comentários à publicação nas redes sociais alertarem para a falsidade, mas mesmo assim os responsáveis pela página não corrigirem ou apagarem essa fake news, a caminho de se tornar viral em poucos dias.

Avaliação do Polígrafo: 

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