Fernando Medina falou aos jornalistas em frente aos Paços do Concelho ao final da tarde da passada terça-feira, dia 20 de abril. O autarca reagia às buscas realizadas pela Polícia Judiciária (PJ), não só no edifício da Câmara Municipal de Lisboa (CML), mas também nos domicílios de vários suspeitos, entre eles Manuel Salgado, ex-vereador do Urbanismo, que ocupava o cargo quando foram aprovados os projetos agora investigados.

Tal como referido no comunicado emitido pela PJ, foram realizadas um total de dez buscas domiciliárias e 18 não domiciliárias, distribuídas entre Lisboa, Sintra, Cascais, Caldas da Rainha e Alvor. "Estarão em causa suspeitas da prática de crimes cometidos no exercício de funções públicas, relacionados com a área do urbanismo da CML, nomeadamente, abuso de poder, participação económica em negócio, corrupção, prevaricação, violação de regras urbanísticas e tráfico de influências", lê-se no documento.

Medina mostrou-se "tranquilo" em relação a tudo o que conhece e reforçou a "confiança no trabalho feito pela Câmara". “A instituição mais interessada [nos esclarecimentos] é precisamente aquela à porta da qual vocês estão”, reiterou.

"Já afirmei que nenhuma das pessoas visadas ocupa hoje funções no executivo, mas eu reafirmo a confiança nas pessoas que aqui trabalham e que aqui trabalharam e não tenho nenhum elemento que me demonstre e que me faça questionar essa confiança, até ao momento", assegurou o autarca socialista depois de Manuel Salgado ter sido referido em várias perguntas dos jornalistas.

Em 2019, o arquiteto Manuel Salgado cessou as funções de vereador do Planeamento, Urbanismo, Património e Obras Municipais na CML que exercia há 12 anos. "Esta decisão foi tomada no mandato anterior. Foi tomada de acordo com o presidente Fernando Medina quando se constituíram as listas para este mandato. Neste mês de julho [de 2019] fiz 75 anos e completei 12 anos de mandato como autarca", sublinhou o próprio em declarações ao jornal "Expresso", a 31 de julho de 2019. "Eu acredito convictamente que as pessoas não se eternizem nos lugares e que seja dado lugares aos novos".

Apesar de ter deixado de ser vereador, permaneceu no cargo de presidente do Conselho de Administração da Sociedade de Reabilitação Urbana Lisboa Ocidental (SRU) que assumira em 2018. Até fevereiro de 2021, quando pediu a demissão desse cargo, por ter sido constituído arguido num inquérito judicial relacionado com a aprovação do Hospital CUF Tejo, em Alcântara.

Assim, de facto, comprova-se que Manuel Salgado não ocupa, atualmente, um cargo oficial no executivo da CML, tal como referido por Medina.

  • Manuel Salgado volta para a Câmara de Lisboa como "conselheiro" de Fernando Medina?

    Em 2019 cessou as funções de vereador do Planeamento, Urbanismo, Património e Obras Municipais na Câmara Municipal de Lisboa (CML) que exercia há 12 anos. Em fevereiro de 2021 demitiu-se do cargo de presidente da Sociedade de Reabilitação Urbana Lisboa Ocidental (SRU), após ter sido constituído arguido num inquérito judicial relacionado com a aprovação do Hospital CUF Tejo em Alcântara. Agora volta à CML "como conselheiro" de Fernando Medina?

No entanto, no dia 13 de abril já tinha sido verificado pelo Polígrafo, na sequência de uma denúncia nas redes sociais, que Salgado tinha regressado à CML, desta vez com funções de "consultor não remunerado". A informação foi confirmada pelo gabinete de Fernando Medina que apenas negou que o arquiteto estivesse a ocupar o gabinete de Inês Drummond, contratada em 2020 como assessora do presidente.

Agora, o Polígrafo voltou a questionar a CML sobre se a posição de consultoria de Manuel Salgado se mantém e a resposta foi afirmativa. A autarquia garante "que não houve nenhuma alteração". A mesma fonte esclareceu ainda que o arquiteto "não tem gabinete" e que "não tem nenhuma função sem ser a de aconselhamento".

Assim, conclui-se que a afirmação de Fernando Medina é verdadeira, de facto, o arquiteto Manuel Salgado já não ocupa funções no executivo da CML. No entanto, é também verdade que já tinha e mantém, atualmente, o cargo de consultor não remunerado na autarquia.

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Avaliação do Polígrafo:

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