A mãe é portuguesa, tem 32 anos e faz vídeos onde opina ou satiriza sobre temas como celebridades, cinema e assuntos da vida quotidiana. A atividade já lhe vale mais de 38 milhões de seguidores no YouTube e 12 milhões no Instagram, o que faz de Felipe Neto um dos mais influentes youtubers do Brasil. No entanto, os últimos dias não têm sido gloriosos para o entertainer, que tem no seu público-alvo, sobretudo crianças e jovens.

Em 2018, no Twitter, onde apesar de ter menos alcance junta cerca de 11,7 milhões de seguidores, Felipe Neto terá feito uma publicação onde disse afirmou que "a culpa da pedofilia é dessas crianças gostosas".

É certo que o post não é novo. Porém, nos últimos dias tem sido alvo de várias denúncias em publicações no Facebook e no Twitter, que juntam uma captura de ecrã do alegado tweet a legendas como "esse, para quem não conhece, é o escroto do Filipe Neto, um youtuber que incentiva as crianças a decidirem sobre o seu sexo, é a favor da pedofilia e do aborto. Jamais deixarei a minha filha assistir aos vídeos dele, se você, pai, compactua com esses tipos de vídeos, sinto muito em lhe dizer que você é um péssimo pai."

As denúncias rapidamente alcançaram milhares de partilhas, deixando pais e educadores profundamente preocupados. Contudo, é falso que alguma vez Felipe Neto tenha feito um tweet, ou qualquer outra publicação, a apelar à pedofilia, tal como dá conta a Agência Lupa, plataforma de verificação de factos brasileira.

A captura de ecrã que circula nas redes sociais é, na verdade, um ataque a Felipe Neto, e resulta de uma manipulação informática que associa a conta de Twitter do youtuber às palavras que alegadamente são um apelo à pedofilia. A frase, resultado de uma invenção, pode ter sido inspirada numa série de comentários pedófilos que foram, de facto, publicados nas redes sociais em 2015, durante a exibição do programa Masterchef Júnior, no Brasil, dirigidos a um concorrente de 12 anos. Um dos comentários em questão dizia "a culpa da pedofilia é dessa molecada gostosa", acontecimento que na altura foi noticiado por vários órgãos de comunicação social, mas que nada tem a ver com Felipe Neto.

Pelo contrário, importa destacar que o influenciador já usou precisamente o alcance que tem junto dos mais novos e respetivas famílias para denunciar canais de YouTube e fóruns anónimos na Internet, utilizados para exploração sexual de crianças e adolescentes.

O youtuber já reagiu às acusações numa publicação no Twitter: "Olá, Ministro @alexandre, ontem você mostrou como é ser vítima desse tipo de crime. Gostaria de te mostrar o tipo de coisa que eu lido há anos, mas que vem acontecendo fora de controlo desde as eleições. Nada foi feito, até hoje, para coibir esses criminosos e os seus prints fake." Felipe Neto dirigia-se a Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, que também denunciou, nos últimos dias, uma publicação falsa cuja autoria lhe era atribuída, e que alegadamente denunciava o boicote a uma manifestação, com recurso a armas de fogo, consentida pelo político.

Ora, tendo em conta que Felipe Neto frequentemente critica o governo brasileiro - já apelidou Jair Bolsonaro como "horroroso" ou "uma piada" - e faz vídeos onde repudia a discriminação com base na orientação sexual ou identidade de género, mostrando-se contra qualquer tipo de conservadorismo, é possível deduzir com um elevado grau de certeza que o ataque ao influencer é uma retaliação levada a cabo por algum defensor ou do governo brasileiro, ou dos valores tradicionais de família.

Avaliação do Polígrafo:

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