AstraZeneca, Pfizer, Moderna ou Johnson & Johnson. Estes quatro nomes de farmacêuticas rapidamente o levam a pensar nas vacinas contra a Covid-19. No entanto, já existem oito vacinas aprovadas.

O vírus SARS-CoV-2 começou a espalhar-se pelo mundo em fevereiro de 2020 e, em dezembro do mesmo ano, Portugal já estava a administrar as primeiras doses. Porém, para a SIDA – uma doença conhecida há várias décadas e que, em 2020, atingia cerca de 37,6 milhões de pessoas, segundo dados do Governo norte-americano – não há nenhuma vacina disponível que trate ou previna a infeção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV na sigla em inglês).

Existem várias explicações para este facto. Uma delas está relacionada com a composição e o modo de atuação dos dois vírus. Os especialistas do "Meedan Digital Health Hub", uma plataforma de investigação que combate a desinformação na área da saúde, explicam que uma das principais dificuldades identificada pelos investigadores resulta da forma como o HIV atua no organismo: "O HIV infeta pessoas ao integrar-se nas células existentes no nosso corpo", o que o torna "invisível para o nosso sistema imunológico. É difícil desenhar uma vacina esperta o suficiente para atacar o vírus disfarçado como as nossas próprias células."

"O HIV infeta pessoas ao integrar-se nas células existentes no nosso corpo", o que o torna "invisível para o nosso sistema imunológico. É difícil desenhar uma vacina esperta o suficiente para atacar o vírus disfarçado como as nossas próprias células."

Por outro lado, o HIV não contém, na sua composição, nenhum componente ao qual o sistema imunológico do hospedeiro reaja, como acontece com o SARS-CoV-2. A famosa proteína spike – que existe no novo coronavírus – é responsável por despoletar os mecanismos de proteção do organismo do hospedeiro, produzindo anticorpos que vão combater o vírus. Ao observar esta reação, os investigadores conseguiram isolar esta proteína e utilizá-la na vacina.

Em terceiro lugar, os especialistas do "Meedan" sublinham que o vírus que pode provocar a SIDA apresenta muito mais variantes do que o novo coronavírus, tendo também uma maior capacidade de mutação. Este fator torna ainda mais difícil o processo de criação de uma vacina eficaz.

"Os cientistas estão a trabalhar incansavelmente" para desenvolver uma vacina contra o HIV. O instituto norte-americano National Health Institute tem vindo a investir nesta área, tendo atualmente um projeto em fase três dos ensaios clínicos, desde 2019. A "Mosaico" resulta de uma parceria com a farmacêutica Janssen, pertencente à Johnson &; Johnson – que também desenvolveu uma vacina contra a Covid-19.

A resposta imunológica deste novo fármaco, assim como a sua segurança, vão ser analisadas num grupo de 3.800 "homens que praticam sexo com homens e pessoas transgénero", que sejam HIV-negativos e que tenham entre 18 e 60 anos. Foi também desenvolvido um estudo complementar que inclui mulheres, explica o Instituto norte-americano de Alergias e Doenças Infecciosas (NIAID, na sigla inglesa). Os ensaios estão a ser realizado no norte e sul da América e na Europa e os resultados deverão ser conhecidos em 2022 ou 2023. >Nos últimos 20 anos de investigação e pesquisa, sete vacinas contra o HIV chegaram à fase de ensaios clínicos. Desses, apenas um dos fármacos conseguiu produzir um sinal de eficácia, embora fraco.

Nos últimos 20 anos de investigação e pesquisa, sete vacinas contra o HIV chegaram à fase de ensaios clínicos. Desses, apenas um dos fármacos conseguiu produzir um sinal de eficácia, embora fraco.

Além de todos estes desafios relacionados com a morfologia do HIV, é importante frisar que o desenvolvimento das vacinas contra a Covid-19 partiu de uma campanha de investimento na investigação científica sem precedentes.

Por outro lado, estes fármacos que já receberam luz verde dos reguladores não partiram do zero, uma vez que já existia investigação realizada previamente para a criação de uma vacina que protegesse os humanos de outras formas de coronavírus. Recorde-se que já tinha existido anteriormente uma epidemia de SARS e outra de MERS, ambos vírus da família corona. Esses dois fatores foram cruciais para que a criação de várias vacinas fosse feita em tempo recorde.

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Avaliação do Polígrafo:

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