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Exames nacionais. As falhas de agora já tinham sido relatadas há um ano no projeto-piloto do exame de Filosofia?

Política
O que está em causa?
Perante o caos na correção dos exames nacionais de 2026, recorda-se que as falhas atuais não eram imprevisíveis: já teriam sido sinalizadas um ano antes, num projeto-piloto que testou o mesmo modelo de correção digital. Será?
© TIAGO PETINGA/LUSA

O ministro da Educação já garantiu que as notas dos exames nacionais serão publicadas a 17 de julho, depois de vários atrasos e problemas relacionados com a correção digital das provas. Mas seriam estes problemas realmente imprevisíveis?

Em 2025, o exame nacional de Filosofia (11.º ano) foi, pela primeira vez, corrigido de forma totalmente digital, um projeto-piloto pensado precisamente para testar, antes de generalizar, o modelo que seria depois alargado a todas as disciplinas do secundário em 2026… e que tem dado mais problemas do que garantias.

Nesse projeto-piloto, professores classificadores relataram várias dificuldades técnicas no acesso inicial à plataforma digital que geria a informação, provas que desapareceram do sistema e folhas digitalizadas com respostas ilegíveis, cortadas ou trocadas, escreveu à data o jornal “Público“. Além disso, o jornal “Observador” revelou uma denúncia enviada à Associação Jurídica pelos Direitos Fundamentais, que relatava folhas de resposta em branco e pelo menos um caso de uma resposta registada “a preto”.

São, praticamente ponto por ponto, as mesmas falhas que voltariam a ser denunciadas em 2026: exames que desaparecem do sistema, digitalizações ilegíveis, respostas cortadas a meio, folhas trocadas entre provas diferentes.

Há um ano, o Ministério da Educação considerou aquele “um processo muito positivo”, acrescentando apenas que, tratando-se de um “processo inovador realizado pela primeira vez”, era natural a existência de “algumas dificuldades e dúvidas”, que teriam sido “prontamente resolvidas e esclarecidas” pelo Júri Nacional de Exames e pelo IAVE. Para o ano seguinte, o Ministério prometeu apenas que seriam “introduzidas as melhorias qualitativas consideradas necessárias”.

Com base nesta avaliação, o Governo decidiu avançar com a generalização do modelo: a correção digital, testada em 2025 apenas na prova de Filosofia, foi alargada em 2026 a todas as disciplinas do secundário, envolvendo desta vez mais de 300 mil provas dos 11.º e 12.º anos (face a cerca de 23.473 inscritos na prova de Filosofia no ano-piloto).

Os erros relatados mais uma vez este ano obrigaram, assim, o Ministério a adiar a divulgação das notas da 1.ª fase e o início da 2.ª fase dos exames nacionais.

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Avaliação do Polígrafo: 

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