"O ex-CEO da Scania, uma grande empresa de camiões sueca, alertou que o país poderia estar caminhando para uma guerra civil devido à imigração em massa descontrolada de culturas estrangeiras". É assim que se inicia o artigo, com origem na página brasileira "Conexão Política" (que tem publicado vários conteúdos falsos já analisados pelo Polígrafo, como aqui e aqui, por exemplo), no qual se destaca que o ex-presidente da Scania, Leif Östling, terá dito que a Suécia está a beira de uma guerra civil devido à imigração.

O sueco, também presidente interino do conselho do parque científico Södertälje, concedeu uma entrevista em que, alegadamente, terá afirmado que a Suécia recebe muitas pessoas estrangeiras e com diferentes culturas. "Nós recebemos muitas pessoas de fora, fizemos isso. O que devemos recordar é que recebemos pessoas do Médio Oriente e de África e elas vivem em uma sociedade que deixámos há cerca de 100 anos. É o sentimento e a percepção deles de como é uma sociedade", cita-se no artigo.

Será então verdade que Leif Östling afirmou que a Suécia está a caminho de uma guerra civil por causa da imigração descontrolada?

Em entrevista concedida à Swebbtv, de facto, Leif Östling declarou que "a Suécia acolheu demasiadas pessoas de fora". Além disso, afirmou que os imigrantes de África e do Médio Oriente "vivem numa sociedade que a Suécia deixou há cerca de 100 anos".

O ex-presidente da Scania falou da sua experiência com imigrantes na empresa que geria: "Tínhamos vários somalis em Oskarshamn. Eram quase 100. Nem todos conseguiram. Em primeiro lugar, porque era preciso chegar a tempo e eles não estavam habituados. Em segundo, devido ao trabalho de equipa. Dos 100, apenas 10 conseguiram ficar. O resto voltou a ficar desempregado”, sublinhou.

No final da entrevista, Leif Östling avisou que a situação poderá tornar-se caótica para a Suécia, se não se conseguir parar os crimes violentos que têm assolado o país: "Se isto continuar, podemos acabar numa situação descontrolada em que teremos que receber as forças armadas e vão haver guerras nessas áreas mais vulneráveis", concluiu.

A informação veiculada na publicação em análise é portanto verdadeira. Contudo, poucos dias depois da entrevista, o sueco declarou ter-se arrependido de algumas das suas palavras: "Não foi muito bom tendo em conta como se desenrolou. Por outro lado, é um assunto importante para se discutir mais factualmente". As suas declarações acabaram por lhe custar o cargo de presidente interino do conselho do parque científico Södertälje, resultando na sua demissão.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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Verdadeiro: as principais alegações do conteúdo são factualmente precisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “verdadeiro” ou “maioritariamente verdadeiro” nos sites de verificadores de factos.

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