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Evento sobre memória colonial em Lisboa será pago com “recursos públicos”, como diz André Ventura?

Política
O que está em causa?
O líder do Chega, André Ventura, afirmou nas redes sociais que o evento "Black Europeans Lisbon Summit 2025" está a ser financiado com o "dinheiro dos contribuintes". Confirma-se?

“É nisto que andamos a gastar o dinheiro dos contribuintes. Não na saúde, justiça, habitação, pensões. É nestas porcarias que andamos a esbanjar recursos públicos”, escreveu ontem à noite o líder do Chega em publicações no X, Facebook e Threads.

Em causa o “Black Europeans Lisbon Summit 2025”, que acontece no próximo dia 20 de setembro em Lisboa. André Ventura partilhou ainda o “print” de uma notícia que classifica o encontro como sendo sobre “memória colonial” e “justiça social”. A peça original, divulgada pela “Bantumen“, refere ainda que este encontro internacional “reúne ativistas, investigadores, educadores e líderes comunitários de países europeus para debater a memória histórica, celebrar a diversidade e refletir sobre o legado da Conferência de Berlim”.

Ventura diz que o evento é financiado com dinheiro público. Será verdade?

Não. Segundo um comunicado assinado pelo diretor executivo da Black Europeans, Miguel Cardoso, as declarações de André Ventura são “falsas”, desprovidas de “qualquer fundamento” e “mais uma tentativa de difundir desinformação para desacreditar o trabalho sério e comprometido” que a associação realiza.

A organização “rejeita categoricamente esta mentira e desafia publicamente o deputado a apresentar provas concretas, devidamente documentadas, que sustentem aquilo que afirma”. Quanto aos fundos, a mesma fonte assegura que o Black Europeans Lisbon Summit 2025 “resulta de um esforço coletivo e independente de pessoas, profissionais e organizações comprometidas com a promoção da justiça racial, da memória histórica e do fortalecimento das comunidades negras e racializadas em Portugal e na Europa” e que “nenhum recurso público foi utilizado para a sua concretização”.

Além disso, o Polígrafo não encontrou no portal Base (até à data de publicação deste artigo) nenhum contrato envolvendo este evento.

Para a organização, “as palavras do deputado não são apenas uma difamação, mas uma ofensa direta às centenas de pessoas — mulheres, homens, jovens, crianças, académicos, ativistas, profissionais de diferentes áreas e cidadãos da sociedade civil — que se juntam neste espaço de diálogo e construção”.

O evento, segundo a notícia divulgada pela “Bantumen”, reflete sobre o “legado da partilha colonial de África, ocorrida em 1884-1885, e os impactos que ainda hoje se fazem sentir nas comunidades afrodescendentes europeias”.

Lisboa foi escolhida como “palco simbólico devido à sua diversidade cultural e à presença significativa de comunidades africanas e afrodescendentes, representando tanto a memória do colonialismo como a força criativa das mesma”.

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