É uma publicação que tem sido partilhada nas redes sociais desde há alguns meses, sobretudo em páginas ou grupos que difundem sistematicamente conteúdos de propaganda anti-imigração, em muitos casos recorrendo a fake news e mensagens xenófobas e/ou racistas.

Na imagem de cima destaca-se um grupo de mineiros, representando os "europeus" que "são forçados a trabalhar até aos 70 anos" de idade. Na imagem de baixo surge uma família numerosa e aparentemente muçulmana, incluindo cinco mulheres que utilizam niqab (véu islâmico em que apenas os olhos ficam destapados), representando as "culturas avessas ao trabalho".

Analisando os dados compilados pelo Eurostat, serviço de estatística da União Europeia, porém, verificamos que nenhum Estado-membro determina uma idade legal de acesso à pensão de reforma a partir dos 70 anos (dados atualizados até 2020).

A idade legal de reforma varia entre um mínimo de 62 anos e meio na Eslováquia e um máximo de 67 anos na Grécia e Itália. Em Portugal fixa-se nos 66 anos e cinco meses.

Por outro lado, depreendendo que as supostas "culturas avessas ao trabalho" correspondem a imigrantes (é a interpretação predominante nas caixas de comentários das publicações), os dados compilados pelo Eurostat indicam que a taxa de emprego dos nativos não está muito distante da taxa de emprego dos estrangeiros: 73,5% e 65,2%, respetivamente, no conjunto da União Europeia.

Mesmo que a distância fosse maior, uma taxa de emprego de 65,2% (na faixa etária entre 20 e 64 anos, pelo que deverá incluir muitos jovens estudantes) não é propriamente um comprovativo ou sequer um sinal de "culturas avessas ao trabalho".

Aliás, em alguns países, desde logo Portugal, a taxa de emprego dos estrangeiros (76,8%) é mesmo superior à dos nativos (74,4%), tornando ainda mais injustificada a mensagem (xenófoba e racista, voltamos a sublinhar) da publicação sob análise.

De qualquer modo, a principal alegação - "Os europeus são forçados a trabalhar até aos 70 anos" - é claramente falsa.

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