Num post de 2 de setembro no Facebook apresenta-se um gráfico com dados referentes à receita da Rússia com a exportação e o aumento dos combustíveis fósseis, repartidos por mês desde janeiro deste ano. O objetivo é comprovar que "desde o início do conflito ucraniano [24 de fevereiro de 2022] a Europa importou diretamente da Rússia em combustíveis fósseis 86,805 mil milhões de euros".

O gráfico em causa foi replicado a partir de um boletim do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (CREA). O CREA analisa mensalmente os movimentos de transporte e cargas e chegou à conclusão de que a Europa continua a financiar, através de importações de combustíveis fósseis, a guerra de Vladimir Putin.

Os dados indicam que seis meses após o início da guerra na Ucrânia (24 de fevereiro a 24 de agosto), a Rússia já ganhou 158 mil milhões de euros em receita com as exportações de combustíveis fósseis. Só a União Europeia foi responsável por importar 54% disso, no valor de aproximadamente 85 mil milhões de euros.

De acordo com o Centro, as exportações de combustíveis fósseis "contribuíram com aproximadamente 43 mil milhões de euros para o Orçamento russo desde o início da invasão, ajudando a financiar os crimes de guerra perpetrados na Ucrânia". Mais uma vez, o maior importador de combustíveis fósseis durante estes seis meses foi a UE, com 85,1 mil milhões de euros, seguida de longe pela China (34,9 mil milhões de euros), pela Turquia (10,7 mil milhões de euros), Índia (6,6 mil milhões de euros), Japão (2,5 mil milhões de euros), Egipto (2,3 mil milhões de euros) e, por fim, pela Coreia do Sul (2 mil milhões de euros).

Apesar das sanções impostas pelo ocidente, o que é certo é que a Rússia tem encontrando maneiras de redirecionar o fornecimento de petróleo: refinando-o, misturando-o e transferindo-o entre navios. O CREA alerta que serão necessária regras e aplicação mais fortes "para evitar que o petróleo bruto e os produtos petrolíferos que contêm petróleo russo entrem nos mercados com proibições em vigor".

Na Europa, a alta dependência de gás russo tem sido motivo para procura de soluções alternativas, como a redução do consumo de combustíveis fósseis que "desempenha um papel fundamental no gerenciamento dos impactos dos cortes de exportação da Rússia e das proibições de importação da União Europeia". Embora o consumo de gás tenha reduzido, a demanda de petróleo e carvão aumentou.

É, por isso, "essencial que a Europa acelere as medidas de economia de energia, visando particularmente o consumo de petróleo e gás, e acelere a implantação de energia limpa, bombas de calor, veículos elétricos e outras tecnologias para substituir os combustíveis fósseis russos".

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