"Péssima notícia: Euro atingiu a paridade com o Dólar [dos EUA] pela primeira vez desde 2002", lê-se no post de 12 de julho no Facebook, remetido ao Polígrafo com pedido de verificação de factos.

De facto, o Euro e o Dólar dos EUA atingiram um nível de quase paridade entre os dias 12 e 16 de julho, sempre abaixo de 1,010 dólares. Entretanto o Euro já valorizou ligeiramente para 1,0131 dólares no dia 18 de julho.

Analisando os dados compilados pelo Banco de Portugal verificamos que este nível de quase paridade entre o Euro e o Dólar já não era registado desde dezembro de 2002. Quanto à última vez em que o valor do Dólar superou o do Euro, indo além da paridade, também remonta a dezembro de 2002.

Mas importa ter em atenção que, em dezembro de 2016, as duas moedas já tinham estado muito próximas em valor, ao nível de 1,0364 dólares. Em janeiro de 2003 registou-se 1,0377 dólares e em janeiro de 2017 atingiu-se 1,0385 dólares. Nestas ocasiões não chegou à paridade, mas não andou muito distante.

Em artigo de 13 de julho, o jornal "Financial Times" recorda as "memórias dos difíceis primeiros anos" do Euro, "quando caiu tão baixo que os operadores de mercado classificaram-na como 'moeda de sanita' e os principais bancos centrais lançaram uma intervenção conjunta para incutir fé no projeto".

No dia 26 de outubro de 2000, segundo os dados do Banco de Portugal, o Euro atingiu um ponto mínimo de 0,8252 dólares. Entre fevereiro de 2000 e dezembro de 2002, o Euro permaneceu quase sempre abaixo do Dólar dos EUA. Introduzido em janeiro de 1999, durante esse primeiro ano manteve-se acima do Dólar e em dezembro de 2002 foi mesmo a última vez que o valor do Dólar superou o do Euro.

Já em 2022, "a paridade com o Dólar faz sobressair o abismo cada vez maior entre as perspetivas económicas dos EUA e da Zona Euro, a qual está mais exposta às consequências da guerra na Ucrânia. A fraqueza do Euro, que aumentará o preço das importações, vai preocupar os dirigentes políticos que já estão a debater-se com uma inflação a superar recordes", salienta o jornal britânico.

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