A publicação de 7 de maio no Facebook começa por notar, tendo por base uma notícia recente, que "os taliban ordenam que todas as mulheres cubram os rostos em público, fazendo regressar o país ao que era antes de 2001". De facto, o líder supremo do Afeganistão ordenou, no dia 7 de maio, que as mulheres afegãs passassem a utilizar burca em público:

"Devem utilizar o chadri [burca] porque é tradicional e respeitoso", determina-se num decreto assinado por Hibatullah Akhundzada, segundo informou a AFP. "As mulheres que não são nem demasiado jovens nem demasiado velhas devem velar o seu rosto quando encontram um homem que não é membro da sua família".

Mas a principal alegação do post surge depois, a saber: "Durante 20 anos, os norte-americanos torraram milhares de milhões de dólares numa guerra com quase 200 mil mortos, onde se incluem 50 mil civis. Com a deserção do Exército norte-americano ordenada por Joe Biden, volta tudo ao mesmo".

O gráfico difundido na publicação aponta mesmo para 2,3 biliões de dólares gastos entre 2001 e 2022. Mas qual é a origem destes números? São fiáveis?

A fonte de informação é o Watson Institute, da Universidade Brown, nos Estados Unidos da América (EUA). De acordo com este instituto de pesquisa científica, desde o início da invasão do Afeganistão, em 2001, os EUA gastaram 2,3 biliões de dólares na guerra, um valor que inclui operações militares tanto no Afeganistão como no Paquistão.

Este valor total, ressalva a mesma fonte, não inclui outros fundos que a Administração dos EUA é obrigada a gastar em cuidados vitalícios para soldados veteranos desta guerra. Também exclui os pagamentos de juros futuros sobre o montante emprestado para financiar a intervenção militar.

Assim, os 2,3 biliões de dólares gastos pelos EUA na Guerra do Afeganistão são apenas "uma parte do custo total estimado das guerras pós-11 de setembro". O projeto de investigação sobre os custos desta guerra estima ainda que morreram cerca de 243 mil pessoas no Afeganistão, como resultado direto da invasão, um número que não inclui as mortes provocadas por doenças, falta de acesso a alimentos, água, infraestruturas e/ou outras consequências indiretas da guerra.

Importa notar, contudo, que estes números reportam a agosto de 2021 e que a extensão até 2022 provém de estimativas. Na verdade, a 15 de Agosto de 2021 os taliban reconquistaram o poder no Afeganistão, depois da retirada dos EUA. De acordo com o Presidente dos EUA, Joe Biden, que anunciou o fim da guerra em abril de 2021, aquele era "o momento de acabar com a guerra mais longa dos EUA. Está na hora de as tropas norte-americanas regressarem a casa".

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