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EUA destacam-se como os maiores produtores mundiais de petróleo?

Internacional
O que está em causa?
À frente da Arábia Saudita, Rússia, Canadá e Iraque, de acordo com uma tabela que está a ser partilhada no Facebook e suscitou dúvidas e pedidos de verificação de factos.
© Shutterstock

“O mundo há muitos anos que é comandado por quem pode comandar. E o petróleo tem sido a arma não secreta, que vai alimentando literalmente o poder. À cabeça, os Estados Unidos [da América]”, destaca-se num post de 15 de abril no Facebook, sinalizado para verificação de factos pelo Polígrafo.

Apresenta uma tabela com dados sobre “os maiores produtores de petróleo do mundo”, liderada pelos EUA com uma capacidade de produção de 16,58 milhões de barris por dia. Seguem-se a Arábia Saudita (10,95 milhões de barris), a Rússia (10,94 milhões), o Canadá (5,42 milhões) e o Iraque (4,10 milhões), entre outros países.

Estes dados foram recolhidos a partir de um gráfico do portal “Statista” que indica a BP – British Petroleum como fonte de informação (pode consultar aqui). São referentes a 2021 e, além do petróleo bruto (crude), incluem o petróleo de xisto, areias petrolíferas e líquidos de gás natural.

Na página da EIA (Administração de Informação sobre Energia dos EUA) estão disponíveis dados mais recentes, do ano de 2022 (pode consultar aqui) e exclusivamente sobre a produção de petróleo bruto (crude).

De acordo com esses dados, os EUA continuam a liderar a produção mundial de petróleo bruto, com 11,89 milhões de barris por dia, mas a diferença em relação aos outros países é menor, devido à não inclusão nas contas do petróleo de xisto, areias petrolíferas e líquidos de gás natural.

Seguem-se a Arábia Saudita (10,64 milhões de barris), a Rússia (10,28 milhões), o Canadá (4,54 milhões) e o Iraque (4,47 milhões).

Desde 2018 que os EUA passaram a liderar a produção mundial de petróleo bruto. Alcançaram mesmo a independência energética, com o impulso da indústria do gás de xisto (via “fracking”, um desastre ecológico), e produzem hoje mais petróleo no seu território do que consomem. Só continuam a importar porque é mais barato (mesmo pagando o transporte) e a maior parte da capacidade própria de refinação está calibrada para o crude mais pesado do Médio Oriente.

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Avaliação do Polígrafo:

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