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Estruturas do altar-palco foram retiradas do Parque Tejo dois meses depois da JMJ?

Sociedade
O que está em causa?
No Parque Tejo já só sobra a cobertura do altar-palco que custou mais de dois milhões ao erário público, destaca-se nas redes sociais. Contactada pelo Polígrafo, a autarquia alegou que era "falso" que partes da estrutura tivessem desaparecido. O Polígrafo foi ao local, confirmou a ausência do palco e confrontou a CML: não houve resposta, nem às chamadas nem aos emails. Horas depois, confirmou a alteração à Agência Lusa.

“O palco que custou 4 milhões desapareceu. Ficou a cobertura, que custou 1 milhão e meio.Mas o Moedas disse que ia ser um equipamento essencial para a cidade no futuro”, destaca-se num “tweet” partilhado ontem, dia 5. Uma fotografia do Parque Tejo mostra o altar-palco só com cobertura: sem escadas e sem “palco”.

O ajuste direto para o “altar-palco”, celebrado entre a Mota-Engil e a Lisboa Ocidental SRU (Sociedade de Reabilitação Urbana), custou 2,9 milhões de euros, mas o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), que até já tinha reduzido o valor total, defendeu o investimento, sublinhando que se tratava de uma estrutura de futuro e não apenas para aquele evento.

“Este espaço [Parque Tejo] vai ser muito utilizado, vai ficar para Lisboa. Nos últimos tempos tenho tido muito interesse na utilização deste palco. Obviamente não é o momento de o dizer, mas há muito interesse, até porque tem muito potencial”, sublinhou Moedas em julho de 2023. Mas será que o palco foi mesmo retirado do local, dois meses depois da JMJ?

Contactado pelo Polígrafo, o gabinete de comunicação da CML garantiu que “é falso” que tal tenha acontecido: “A base do palco e a cobertura manter-se-ão, como sempre esteve previsto, bem como todas as infraestruturas que ali foram instaladas por causa da JMJ e que se irão manter: energia, saneamento, água potável, rega com Água+, entre outras, que permitirão a realização de qualquer tipo de eventos nesta zona, antigo aterro sanitário e que já é um parque da cidade.

O Polígrafo deslocou-se ao Parque Tejo e verificou que a base do palco não se encontrava no local. Nesse sentido, a CML voltou a ser questionada sobre se o palco foi removido temporariamente e, se sim, porquê. No entanto, não obteve qualquer resposta por parte da autarquia.

Após repetidas tentativas de contacto com o gabinete de comunicação da CML, a agência Lusa noticiava que o palco do Parque Tejo da JMJ foi retirado e guardado para “utilizações futuras“.

À agência Lusa, fonte da CML indicou que a retirada da estrutura do palco “sempre esteve prevista” e que o valor final da empreitada “já contemplava essa intervenção”.

“O valor final do altar-palco do Parque-Tejo foi de 2,9 milhões de euros. A estrutura do palco foi retirada, como previsto, e é um custo que está incluído no valor final da empreitada”, esclareceu a autarquia.

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Nota editorial: A versão original deste texto indicava que a CML tinha mentido ao Polígrafo, quando afirmou, em resposta às várias questões enviadas, que era “falso” que o palco tivesse sido retirado. Depois da sua publicação, a Câmara esclareceu, no entanto, que a resposta era apenas à pergunta “É verdade que do Palco-Altar que acolheu a JMJ resta apenas a cobertura?”, a primeira de cinco enviadas pelo Polígrafo. Sem mais esclarecimentos, foi assumido que a Câmara negava a retirada de algumas partes do altar-palco, o que se veio a verificar verdadeiro (como mostram as declarações da CML à Lusa). Por estes motivos, optámos por retirar o termo “mentiu”, mantendo a avaliação inicial deste artigo.

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Avaliação do Polígrafo:

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