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Este vídeo revela “cemitério escondido” de veículos elétricos com baterias que “não conseguem reciclar ou substituir”?

Sociedade
O que está em causa?
Partilhado viralmente em redes sociais como o X/Twitter, mostra o que parecem ser centenas de bicicletas elétricas abandonadas num terreno que se diz ser na China. Alega-se que a reparação ou substituição das baterias implica custos "muito elevados", daí terem "escondido" tais veículos para "continuar a fingir que são ecologicamente corretos".

“Os veículos eléctricos são tão tóxicos que não conseguem reciclar ou substituir as baterias devido aos custos muito elevados. Para continuar a fingir que são ecologicamente corretos, após o fim das baterias, criam cemitérios escondidos das pessoas”, acusa-se numa das publicações do vídeo em causa no X/Twitter.

As imagens mostram o que parecem ser centenas de bicicletas elétricas abandonadas num terreno que se diz ser na China. Este mesmo vídeo já tinha sido partilhado anteriormente, com descrições que apontavam no mesmo sentido: veículos elétricos abandonados por causa dos elevados custos de reparação ou substituição das baterias.

Mas essa história está a ser mal contada.

Analisando as imagens verifica-se que os veículos que surgem no vídeo pertencem à Meituan, uma empresa tecnológica chinesa.

Em abril de 2018 foi noticiado que a Meituan tinha adquirido a Mobike, uma startup chinesa “que ajudou a criar serviços pioneiros de partilha de bicicletas em todo o mundo”. Poucos meses depois, porém, a Meituan decidiu reduzir a escala do negócio de partilha de bicicletas, pois não havia clientes suficientes para a oferta disponível.

Em resposta à AFP, a empresa chinesa explicou que alugou o parque de estacionamento que se vê nas imagens para guardar “temporariamente” algumas das bicicletas, devido às condições meteorológicas ou restrições das autoridades locais quanto ao número de bicicletas ou scooters autorizados a circular.

“Atualmente, devido às condições meteorológicas ou às instruções das autoridades locais, tivemos que reduzir o número de scooters elétricas em serviço em determinados locais e armazenar temporariamente os veículos não utilizados (…) em estacionamentos exteriores alugados pela Meituan”, indicou um porta-voz da Meituan à AFP em dezembro de 2022.

Ou seja, o número de bicicletas elétricas disponíveis pela empresa era muito superior à procura, pelo que esta teve de encontrar uma solução. A qual passou por armazenar todos estes veículos neste espaço “numa cidade do sul da China”.

Segundo a empresa chinesa, não se trata de “veículos abandonados em fim de vida” porque não as baterias não podem ser recicladas ou substituídas, mas sim de veículos armazenados porque não podem ser colocados em circulação.

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Avaliação do Polígrafo:

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