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Este vídeo mostra tropas russas a manobrar lança-granadas dos “tempos soviéticos” que falha disparo?

Ucrânia
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
"Soldados russos a utilizarem armas que estavam guardadas no armário desde os tempos soviéticos", descreve-se nas partilhas do vídeo, entre o TikTok, Facebook e Twitter. As imagens retratam soldados (não identificados) a manobrar um lança-granadas, mas o disparo falha e começam a fugir para se abrigarem da explosão que também acaba por não ocorrer. Ouvem-se mesmo alguns risos... Verdeiro ou falso?

Surgiu no TikTok e entretanto saltou para o Facebook, Twitter e demais redes sociais. É um breve clip de vídeo, com apenas sete segundos de duração, que supostamente retrata “soldados russos a utilizarem armas que estavam guardadas no armário desde os tempos soviéticos“, na presente guerra da Ucrânia.

Nas imagens aparecem soldados (não identificados) a manobrar um lança-granadas, mas o disparo falha e começam a fugir para se abrigarem da explosão que também acaba por não ocorrer. Ouvem-se mesmo alguns risos… Verdeiro ou falso?

Através de ferramentas de análise como a “TinEye” e a “InVID” identificamos a origem das imagens num vídeo publicado no YouTube, a 23 de fevereiro de 2022, com referência às Forças de Defesa do Quénia (KDF). Ou seja, não tem qualquer relação com tropas russas, nem com a guerra da Ucrânia.

Por outro lado, em declarações à “Lead Stories” (plataforma norte-americana de fact-checking que também verificou este vídeo), Nick Reynolds, analista do Royal United Services Institute (um think tank dedicado a matérias de Segurança & Defesa, do Reino Unido), garante que “o padrão da camuflagem, e em particular o design do colete à prova de bala, demonstram que os soldados são das Forças de Defesa do Quénia“.

Reynolds sublinha que não há registo de militares quenianos destacados na Ucrânia, nem de o Quénia ter fornecido uniformes e coletes para as tropas russas ou ucranianas. E também aponta para as condições climatéricas visíveis nas imagens que, assegura, não correspondem às que se verificam na Ucrânia desde o começo da invasão por forças militares da Rússia.

A única coisa possivelmente russa no vídeo é o lança-granadas RPG-7, mas está carregado com uma ogiva comprovadamente de origem chinesa. Sabe-se que ambos fazem parte do arsenal das Forças de Defesa do Quénia, por isso não surpreende”, conclui.

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Avaliação do Polígrafo:

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