A guerra atualmente em curso entre Israel e o Hamas, para além das elevadas baixas na frente de batalha, tem ficado marcada pelos intensos fluxos de propaganda e desinformação que continuam a chegar aos quatro cantos do mundo através das redes sociais. É o caso de um vídeo que aparenta mostrar a detenção, levada a cabo pelas forças israelitas, de uma ambulância que pretenderia entrar na Faixa de Gaza. Está a ser partilhado fora do devido contexto.
“Forças israelitas detêm paramédicos sob ameaça de arma, impedindo-os de salvar vidas em Gaza”: eis a legenda de uma publicação partilhada na rede social X, que acompanha um vídeo que aparenta retratar mais um episódio relativo à atual situação de guerra vivida entre Israel e a Palestina, que se intensificou há cerca de três meses e continua sem dar tréguas desde então.
Nas imagens vê-se o que aparenta ser uma intervenção das Forças de Defesa de Israel (FDI) sobre uma ambulância que pretenderia ir prestar auxílio médico à população de Gaza. É possível identificar, ainda, como o condutor é obrigado a sair do condutor do veículo e a entregar as chaves, de modo a impedir a fuga.
Mas será que, tal como a publicação dá a entender, estamos perante um vídeo gravado já depois de o Hamas ter levado a cabo, em outubro passado, um ataque terrorista contra Israel?
Não. O vídeo aqui analisado foi partilhado, já em 2019, no YouTube, pelo B’Tselem (Centro de Informação Israelita para os Direitos Humanos nos Territórios Ocupados), não estando relacionado com a presente guerra entre Israel e o Hamas.
Aliás, o título do vídeo oferece mais alguns detalhes sobre o que estará verdadeiramente em causa: “Soldados israelitas detêm uma ambulância palestiniana sob a mira de uma arma durante um protesto na aldeia de Beit Sira.”
As imagens, que serão da autoria da agência de notícias turca Anadolu, terão sido captadas a “8 de março de 2019, durante uma manifestação” que ocorreu na aldeia localizada no “distrito de Ramallah”. Em causa uma iniciativa “contra o assassinato de dois palestinianos”, durante a qual “uma ambulância viu-se no meio dos confrontos”.
No relatório divulgado pelo referido centro de informação, no seu site, sobre este incidente, acrescenta-se que em causa está um protesto na sequência de uma ocorrência a envolver dois jovens, de 19 e 21 anos, que “tinham sido mortos alguns dias antes, depois de o seu carro ter batido num veículo militar que tinha ficado preso perto da aldeia de Kafr Ni’ma”. Uma manifestação que decorreu, também, “contra o facto de os militares ainda não terem libertado os corpos dos jovens”.
Devido aos confrontos registados, “três ambulâncias foram chamadas ao local” – uma das quais acabou por ficar encurralada “entre os manifestantes e os soldados”, presenciando momentos de extrema violência. “O condutor da ambulância tentou afastar-se do local. No entanto, assim que a ambulância começou a andar, um agente ordenou ao condutor, sob ameaça de arma, que desligasse o motor e lhe entregasse as chaves”, explica a mesma nota, que informa ainda que essa equipa de paramédicos foi obrigada a manter-se no local “durante cerca de 15 minutos”.
A publicação foi primeiramente analisada pela equipa de fact-checking da AFP.
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