“Deputados como Rima Hassan e Mariana Mortágua escondendo provas do crime de associação ao Hamas, atirando ao mar telefones carregados de materiais poluentes e verdades inconvenientes”, lê-se num “tweet” partilhado esta manhã no X, depois de a deputada bloquista, a atriz Sofia Aparício e o ativista Miguel Duarte, que seguiam na Flotilha Humanitária a caminho de Gaza, terem sido capturados por Israel.
O vídeo é real, mas Mortágua nem sequer estava naquele barco. A embarcação da coordenadora do Bloco de Esquerda – “Adara” – foi intercetada durante a noite de ontem. A que se vê no vídeo divulgado nas redes sociais tem outro nome: “Captain Nikos.” Nela seguia, de facto, a eurodeputada franco-palestiniana Rima Hassan. Segundo um comunicado da sua equipa publicado no X esta madrugada, “a tripulação do Captain Nikos foi presa ilegalmente pelo exército israelita em águas internacionais”.
No barco seguia ainda um jornalista do espanhol “El País”, Carlos de Barrón, que explicou ao jornal que o gesto de atirar telemóveis para o mar perante uma possível interceção de Israel estava previsto no protocolo de segurança pré-estabelecido no momento do embarque. “Todos os objetos que poderiam ser usados para exercer violência, como facas de cozinha, anzóis, ferramentas ou outros itens contundentes, também foram atirados para a água”, acrescentou.
No essencial, mesmo sendo verdadeiro, o vídeo não mostra a deputada do Bloco de Esquerda, que seguia noutra embarcação. Mariana Mortágua estava em direto no Instagram aquando da primeira interceção. Depois de um “mãos ao ar”, o direto terminou e o telemóvel da bloquista seguiu, como todos os outros, para o mar. Jorge Costa, do Bloco de Esquerda, disse à CNN que esta medida serve para “garantir a segurança dos contactos e das informações desses aparelhos“.
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