“No Nepal, elefantes salvam pessoas. Que mundo incrível em que vivemos”, lê-se num “tweet” publicado a 26 de agosto que já conta com mais de 800 mil visualizações. Em causa, o registo emocionante do momento em que um elefante se aproxima de um homem agarrado ao que parece ser uma pedra durante uma enxurrada e o ajuda, com a própria tromba, a sair daquela corrente de água.
O momento foi partilhado precisamente no primeiro dia das cheias e deslizamentos de terras provocados pelo colapso de um glaciar no Nepal, que já causaram mais de 1.000 mortos. Mas será que está mesmo relacionado com esta tragédia?
O jornal de fact-checking americano “Snopes” identificou este vídeo noutras redes sociais, como o TikTok, Reddit e Instagram, mas as narrativas são diferentes a cada partilha. No Reddit, por exemplo, diz-se que aconteceu na Índia.
Apesar de haver dúvidas sobre a autenticidade do vídeo (há sinais que apontam para o recurso a Inteligência Artificial), o facto é que este não está relacionado com as cheias no Nepal, até porque foi partilhado nas redes sociais semanas antes do desastre. No YouTube, o vídeo já está disponível pelo menos desde 5 de agosto deste ano, sendo que a catástrofe aconteceu a 26 de agosto pelas 8h30 locais (3h45 em Portugal continental).
Há quem diga, nas caixas de comentários, que esta história “tem origem num vídeo genuíno de 2016, filmado no Elephant Nature Park, em Chiang Mai, na Tailândia. O vídeo capta um momento real em que uma jovem elefante chamada KhamLa correu para um rio de corrente rápida para ‘resgatar’ o seu cuidador humano, Darrick, que ela acreditava estar a afogar-se”. No entanto, e apesar de a história ser autêntica, o vídeo amplamente partilhado do que aconteceu em 2016 não é o mesmo que está agora a ser partilhado.
O Polígrafo submeteu o vídeo a uma plataforma de deteção de conteúdos gerados com IA (Hive Moderation), que apontou para uma probabilidade de 92,4% de este vídeo ter sido criado digitalmente.
Em suma, a origem do vídeo é ainda desconhecida e, na realidade, o registo pode nem sequer ser real. O que é certo é que não está relacionado com as cheias no Nepal, uma vez que já circulava nas redes sociais mais de duas semanas antes da tragédia.
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Avaliação do Polígrafo:



