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Este vídeo foi gravado em Almada e retrata uma multidão a entoar “cânticos islâmicos”?

Sociedade
O que está em causa?
Nas redes sociais circula um vídeo (com milhares de visualizações) em que se vê um grupo de pessoas a entoar supostos "cânticos islâmicos" no Laranjeiro, Almada. O vídeo motivou um pedido de verificação de factos ao Polígrafo, questionando se estas imagens terão mesmo sido gravadas em Portugal.

“Está bonito está…”, lê-se numa publicação feita no Facebook, no dia 14 de agosto, acompanhada por um vídeo que mostra várias imagens, de momentos diferentes, sob a indicação (numa mensagem escrita em letras brancas sobre as imagens) de que terá sido gravado no Laranjeiro, em Almada.

O vídeo gerou nas últimas semanas milhares de visualizações e chegou também ao Polígrafo num pedido de verificação de factos, enviado por um leitor que questiona se o vídeo que mostra “multidão a cantar cânticos islâmicos” foi realmente gravado no Laranjeiro.

Nas imagens vêem-se dezenas de indivíduos reunidos, com um estandarte erguido com escritos em dourado aparentemente em língua árabe, enquanto batem no peito e entoam cânticos numa espécie de ritual.

Estas imagens foram captadas em Portugal?

Sim. Foi uma procissão da comunidade xiita. Através de uma busca por alguns fragmentos do vídeo, verifica-se que a 30 de julho de 2023 foi publicado no YouTube um conjunto de imagens de onde parecem ter origem as que se visualizam no vídeo agora partilhado nas redes sociais.

Nesse vídeo indica-se que “Muharram é o primeiro mês do calendário islâmico e tem um enorme significado para os muçulmanos xiitas“, uma vez que “culminam na tragédia de Karbala, onde o Imam Hussain defendeu firmemente a justiça, sacrificando a sua vida e a vida dos seus companheiros mais próximos em nome da verdade e da justiça”.

De acordo com a mensagem expressa no vídeo, é esse o sacrifício que é homenageado pela comunidade xiita, tendo-se tornado um “símbolo de resistência contra a tirania e um farol de esperança para a justiça e a retidão”.

Na descrição acrescenta-se que “este [2023] é o quarto ano da Juloos e Ashura em Portugal” e que a Associação Lady Fatemah S.A. é a responsável “por manter esta procissão todos os anos”.

Tendo em conta a presença da Polícia de Segurança Pública (PSP) nas imagens, o Polígrafo questionou a autoridade sobre esta ocorrência e se, como se diz na descrição do vídeo original, aconteceu anualmente desde 2020.

Em resposta, a PSP explica que a Associação Lady Fatemah S.A., “está associada à comunidade xiita em território nacional e possui um Centro Cultural e Mesquita na Rua da Escola, n.º 5, 2810-239, Almada”, local junto ao qual a procissão é feita.

“De acordo com o calendário islâmico, a partir de 8 de julho inicia-se o mês sagrado de Muharram, durante o qual lembram o sacrifício do Imam Hussain A.S. Anualmente, durante o mês de julho e desde 2020, recordam este sacrifício e realizam programas sociais, religiosos e palestras para a comunidade”, confirma a autoridade.

Este ano não foi exceção, tendo-se realizado “no dia 17 de julho de 2024, pelas 14h30“, uma “caminhada em procissão, com início na Rua da Escola e términus na Praça da Portela (Laranjeiro)”. A PSP acrescenta que não houve “qualquer incidente digno de registo” e que o evento foi “devidamente comunicado à Câmara Municipal de Almada e à Divisão da PSP de Almada, tendo sido requisitado serviço remunerado”.

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Avaliação do Polígrafo:

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