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Estado pagou 450 mil euros à Sonae para apoio ao salário mínimo e CEO foi aumentada este ano em 400 mil euros?

Economia
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
"A CEO da Sonae teve um aumento de 400 mil euros. O Estado, devido ao aumento do ordenado mínimo, deu 450 mil euros à Sonae", destaca-se num "tweet" de 8 de abril. Os números estão corretos?

Em resposta ao tweet em causa, há mesmo quem considere o caso exposto como sendo “normal”, já que a Sonae é “o maior empregador do país“. Mas o autor refuta: “E tem que ser o Estado a financiar para que esta empresa pague o mínimo exigido por lei aos seus trabalhadores? Podiam pegar em 0,15% dos lucros para fazer isso”, escreveu, remetendo para uma notícia sobre os lucros do grupo empresarial.

Começando pelo aumento do salário de Cláudia Azevedo, CEO do grupo Sonae, é verdade que, no ano de 2021, recebeu um total de 1,6 milhões de euros: 505.600 euros a título de remuneração fixa e dois prémios de 551.000 euros cada um. No ano de 2020, segundo a Agência Lusa, “a remuneração fixa foi de 493.800 euros e os prémios de 372.700 euros”.

Contas feitas, a remuneração da CEO subiu de 1.239.200 euros em 2020 para 1.607.600 euros em 2021, “sendo o salário da gestora distribuído por três partes, incluindo dois prémios, segundo um relatório” a que a Agência Lusa teve acesso. Comunicado lançado pelo grupo a 17 de março deste ano destacava que a Sonae tinha aumentado o volume de negócios em 5% para um valor recorde superior a 7 mil milhões de euros, e que o investimento ascendeu a 474 milhões de euros, dos quais 195 milhões de euros em aquisições.

Azevedo assinalou, no mesmo documento, que estes resultados, anunciados em 2022, “demonstram uma crença reforçada no nosso propósito, uma revigoração dos nossos valores e uma nova identidade corporativa. Pessoalmente, foi inspirador constatar que o nosso legado continua a estimular de forma tão acentuada pessoas de todas as gerações e de diferentes atividades e geografias. E foi também muito marcante reconhecermos coletivamente como este legado deve ser projetado no futuro com energia e ambição renovadas”. À data, o aumento do salário da CEO ainda não era conhecido.

Quanto aos 450 mil euros que o Estado terá atribuído ao grupo Sonae, a verdade é que, de acordo com uma análise do “Jornal de Negócios” à lista de subvenções que foi publicada pela Inspeção-Geral de Finanças (IGF), o apoio máximo de 84,5 euros por trabalhador fez com que o Modelo Continente (principal empresa detida pela Sonae) tivesse direito a uma subvenção de 355,7 mil euros. Ainda assim, houve mais dinheiro movimentado por se tratar de um grupo: 92,4 mil euros foram pagos ao Continente Hipermercados, um valor que, somado ao anterior, resulta num total de 448 mil euros.

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Avaliação do Polígrafo:

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