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Estado injetou mais capital numa empresa pública – a TAP – “que dá lucros”?

Política
O que está em causa?
No Facebook ironiza-se sobre o Estado ter de transferir mais dinheiro para a TAP, empresa pública que supostamente "dá lucros". Coloca-se mesmo em dúvida esses "lucros", além de uma vaga sugestão de "100% corrupção".

“Não me digam… o Estado injeta capital numa empresa que dá lucros?! Se desse lucros… não puxavam pelas garantias”, comenta-se numa recente publicação no Facebook, sinalizada para verificação de factos pelo Polígrafo.

O comentário surge associado a duas imagens: à direita, uma notícia da CNN Portugal em que se informa que o “Estado faz nova injeção de capital na TAP” e “ficam a faltar 343 milhões” de euros; à esquerda, a mensagem “100% corruption” (“100% corrupção”).

Quanto à indicação de que a TAP é uma empresa que “dá lucros”, confirma-se que é verdadeira: nos primeiros nove meses de 2023, a companhia aérea passou de prejuízo a lucro recorde de 203,5 milhões de euros. A notícia da CNN Portugal também é verdadeira, datada de 18 de janeiro de 2024.

Mas a injeção de capital pelo Estado é apresentada no post de forma descontextualizada, na medida em que já estava prevista, independentemente dos lucros.

No dia 21 de dezembro de 2021 foi anunciada a aprovação pela Comissão Europeia do Plano de Reestruturação da TAP, apresentado por Pedro Nuno Santos, à data ministro das Infraestruturas e da Habitação.

Este plano definia a injeção por parte do Estado de 3,2 mil milhões de euros na companhia aérea, sendo que 2,5 mil milhões de euros são referentes à reestruturação. Neste pacote incluem-se 980 milhões de euros correspondentes à injeção de capital programada no Orçamento de Estado para 2022 (revista posteriormente em baixa de 990 milhões para 980 milhões de euros).

Este montante foi repartido em três tranches previstas para 2022, 2023 e 2024. O primeiro cheque dos contribuintes foi pago em dezembro de 2022, no valor de 294 milhões de euros; o segundo no montante de 343 milhões de euros foi comunicado aos investidores no início de 2024 e fica a faltar a última tranche de igual quantia à anterior prevista para dezembro de 2024.

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Avaliação do Polígrafo:

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