Se uma empresa aumentar o salário de um trabalhador em 100 euros, este vai acabar por só receber mais 66 euros, enquanto que o Estado vai ficar com quase metade do valor que a empresa vai verdadeiramente pagar. É a conclusão de uma publicação feita pelo Iniciativa Liberal nas suas redes sociais, citando dados da consultora PwC.

As contas estão bem feitas? É verdade que “o Estado fica com 47% dos 124 euros que a empresa paga para aumentar o salário de 800 euros do José”? 

Ordenado Iniciativa Liberal

Contactada pelo Polígrafo, a PwC afirma não ter partilhado com a Iniciativa Liberal nenhuma simulação referente a este tema, mas admite que tenham sido utilizados pelo partido liderado por João Cotrim Figueiredo os simuladores de IRS disponibilizados no seu site. “Com base nestes simuladores e pelas nossas contas, os cálculos apresentados estão corretos”, explica Ana Duarte, responsável pela área de IRS da consultora. 

E como é que se chega a estes valores?

Como revela Ana Duarte, os simuladores da PwC não calculam a retenção mensal de IRS, mas sim o valor final anual que tem de ser pago ao Estado. “Para calcular o valor mensal tem de se dividir por 14 meses. E as contas batem certo com o apresentado”, continua. Assim, um trabalhador que receba 800 euros por mês vai acabar por contribuir anualmente com 278,92 euros, ou seja, cerca de 20 euros mensalmente. Se o salário for de 900 euros, a contribuição anual passa a ser de 599,54 euros anuais, ou seja, cerca de 43 euros mensais. 

Além do IRS, o Estado cobra por cada trabalhador uma Taxa Social Única (TSU), que é o desconto que as empresas e o trabalhador descontam para a Segurança Social (SS). Esta tem duas componentes: a parte que fica a cargo do empregador, que é de 23,75%, e a parte que fica a cargo do trabalhador, que se situa nos 11%. No entanto, a responsabilidade de entregar ambas as partes é da empresa. 

Com o aumento salarial de 100 euros, a empresa tem uma despesa real de 1114 euros (900 euros de salário base mais 214 euros de SS), sendo que ao trabalhador chegam 758 euros (900 euros menos 43 euros de IRS e 99 euros de SS), apenas mais 66 euros que antes do aumento. Já o Estado recebe 356 euros (313 euros de TSU total e 43 euros de IRS), mais 58 euros que antes do aumento.

Se um trabalhador receber 800 euros de salário, terá de descontar 88 euros para a Segurança Social, enquanto o seu empregador terá de pagar 190 euros (TSU total de 278 euros). Já se receber 900 euros, o seu desconto será de 99 euros, enquanto o empregador pagará 214 euros (TSU total de 313 euros). 

É então a partir deste conjunto de contas que se constrói um quadro como o apresentado pela Iniciativa Liberal. No caso do salário de 800 euros, a empresa terá um encargo real de 990 euros, que é o salário bruto mais os 23,75% de Segurança Social. O trabalhador vai receber líquidos 692 euros, que são o salário bruto, menos os 20 euros de IRS e os 88 euros da Segurança Social. Já o Estado vai receber 298 euros, ou seja, os 20 euros de IRS mais os 278 de TSU. 

Com o aumento salarial de 100 euros, a empresa tem uma despesa real de 1114 euros (900 euros de salário base mais 214 euros de SS), sendo que ao trabalhador chegam 758 euros (900 euros menos 43 euros de IRS e 99 euros de SS), apenas mais 66 euros que antes do aumento. Já o Estado recebe 356 euros (313 euros de TSU total e 43 euros de IRS), mais 58 euros que antes do aumento. 

Desta forma, é correcto afirmar que num aumento de 800 para 900 euros, quase metade (46,77%) dos 124 euros que é despesa real da empresa é canalizada para o Estado, através do pagamento da TSU e de IRS. 

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