"Um reconhecimento muito especial é devido às empresas e aos trabalhadores que, na retaguarda, nunca pararam e asseguraram que do prado ao prato nada nos faltasse. Que enfrentaram os pesados sacrifícios de encerramento forçado ou cortes no vencimento. Que provaram a resiliência, o espírito empreendedor, a capacidade de iniciativa dos nossos empresários. Que asseguraram a contenção da taxa de desemprego em 7,1%", afirmou hoje o primeiro-ministro António Costa, no debate sobre o "Estado da Nação" na Assembleia da República, apontando também para "um valor das exportações de bens que nestes primeiros meses de 2021 foi mesmo superior ao período homólogo de 2019".

No que concerne às exportações, o que dizem os números?

O Instituto Nacional de Estatística (INE), no dia 10 de maio de 2021, divulgou novos dados estatísticos sobre o comércio internacional, salientando que "em março de 2021, as exportações e as importações de bens registaram variações homólogas nominais de +28,8% e +12,2%, respetivamente (+2,6% e -10,4%, pela mesma ordem, em fevereiro de 2021). Destacaram-se os acréscimos nas exportações de Material de transporte (+61,0%) e nas importações de Fornecimentos industriais (+15,1%) e de Máquinas e outros bens de capital (+27,3%). Note-se que estas variações homólogas, em março, incidem sobre o primeiro mês de 2020 em que o impacto da pandemia de Covid-19 já foi sentido significativamente".

"Excluindo Combustíveis e lubrificantes, as exportações e as importações aumentaram 27,9% e 15,0%, respetivamente (+2,1% e -9,8%, pela mesma ordem, em fevereiro de 2021). O défice da balança comercial de bens diminuiu 555 milhões de euros face ao mês homólogo de 2020 (diminuição de 622 milhões de euros em relação a março de 2019), atingindo 1.002 milhões de euros em março de 2021. Excluindo Combustíveis e lubrificantes, o défice diminuiu 385 milhões de euros (diminuição de 443 milhões de euros face a março de 2019), atingindo 743 milhões de euros", informou o INE.

No conjunto primeiro trimestre de 2021, de acordo com os dados do INE, "as exportações de bens aumentaram 6,2% e as importações diminuíram 5,3% face ao primeiro trimestre de 2020 (-4,9% e -11,0%, pela mesma ordem, no trimestre terminado em fevereiro de 2021). Comparando com o primeiro trimestre de 2019, as exportações aumentaram 3,0% e as importações diminuíram 8,4%".

De resto, "em março de 2021, o défice da balança comercial atingiu 1.002 milhões de euros, o que representa uma diminuição expressiva face ao défice de 1 556 milhões de euros no mesmo mês de 2020. Em março de 2019 o défice da balança comercial era ainda maior, tendo então atingido 1.624 milhões de euros. Excluindo Combustíveis e lubrificantes, em março de 2021 o saldo da balança comercial situou-se em -743 milhões de euros, correspondente a uma diminuição do défice de 385 milhões de euros face a março de 2020 (face a março de 2019, o défice diminuiu 443 milhões de euros)".

Pelo que concluimos que a afirmação em causa do primeiro-ministro tem sustentação factual.

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Avaliação do Polígrafo:

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