"Portugal, liderado por si, que está aqui hoje a responder perante este Parlamento, tem a maior área ardida da Europa desde 2015. Como é que isso é possível? Com a reforma da floresta, com a reinvenção do cadastro, com a reforma administrativa, com mais meios para a Proteção Civil que leva até o maior partido da oposição a vir dizer que o Governo está a fazer melhor. Não, não está"

De acordo com os dados recolhidos pelo Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS, na sigla em língua inglesa), no período entre 2015 e 2020, Portugal acumula o maior número de hectares de área ardida entre todos os países europeus: 67.200 hectares em 2015, 167.807 hectares em 2016, 539.921 hectares em 2017, 44.578 hectares em 2018, 42.084 hectares em 2019 e 67.170 hectares em 2020. Média anual no referido período: 154.793 hectares.

Na tabela dos países europeus com maior área ardida segue-se a vizinha Espanha: 103.200 hectares em 2015, 65.817 hectares em 2016, 178.234 em 2017, 25.162 hectares em 2018, 83.963 hectares em 2019 e 65.923 hectares em 2020. Média anual no referido período: 87.049 hectares.

Apesar de o território português ter uma área total (92.212 km²) que equivale a cerca de 18,2% da área total do território espanhol (505.990 km²), o facto é que, na maior parte dos últimos anos, a área ardida em Portugal é superior à de Espanha. Aliás, entre 2015 e 2020, a média anual de área ardida em Portugal é quase o dobro em comparação com a de Espanha.

O EFFIS apresenta dados recolhidos desde 1980 e calcula a média de área ardida (por país) em cada década. Nesse âmbito verifica-se uma inversão de posições entre Portugal e Espanha a partir de 2000. De facto, tal como se alega no post sob análise, "em Portugal, a área ardida é atualmente quase o dobro do que se verificava na década de 1980", também em média anual: de 73.484 hectares entre 1980 e 1989 para 138.084 entre 2010 e 2019.

Nas décadas de 1980 e 1990, a média anual de área ardida em Espanha - 244.788 e 161.319 hectares, respetivamente - foi superior à registada em Portugal - 73.484 e 102.203 hectares, respetivamente. Nas décadas seguintes de 2000 e 2010, porém, essa posição inverteu-se e a média anual de área ardida em Portugal - 160.985 e 138.084 hectares, respetivamente - suplantou a que foi registada em Espanha - 127.229 e 94.514 hectares, respetivamente.

No presente ano de 2022, até ao dia 16 de julho, de acordo com os últimos dados do ICNF (obtidos com base no Sistema de Gestão de Informação de Incêndios Florestais), já arderam mais hectares (40.521 no total) do que em todo o ano de 2021 (ou até 15 de outubro de 2021, um total de 27.118 hectares de área ardida e, não havendo registo de grandes incêndios nos últimos dois meses e meio desse ano, o número final não será muito superior).

Em termos homólogos, ou seja, até ao dia 16 de julho, a área ardida em 2022 é a maior desde o fatídico ano de 2017, em que já tinha superado a fasquia de 74 mil hectares (no total desse ano foi atingido um ponto máximo de 537.131 hectares).

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