Numa semana em que o número de incêndios continua elevado e em que as temperaturas voltaram a subir, André Ventura aproveitou o debate sobre o "Estado da Nação" para acusar António Costa de nada ter feito em relação à floresta desde 2017, sendo por isso que "Portugal tem a área ardida que tem", a maior da Europa desde 2015.

As perguntas dirigidas a Costa prosseguiram, mas as respostas foram quase sempre dadas imediatamente pelo próprio líder do Chega:

"Quero-lhe perguntar se ainda se lembra de quem é que extinguiu a Guarda Florestal em 2006. Sabe quem foi? Chama-se António Costa, é agora primeiro-ministro e era na altura ministro da Administração Interna. E aproveitando a Guarda Florestal, a pergunta que devia ter sido feito e que todo o país quer saber: onde é que estão os famosos Kamov que vinham resolver os problemas dos incêndios? Sabe onde é que estão? Estão todos parados como os submarinos. É aí que estão e é responsabilidade sua e deste Governo."

Ora, não é novidade, tal como o Polígrafo já verificou, que Costa extinguiu a Guarda Florestal em 2006 - nas funções de ministro da Administração Interna - e que os helicópteros Kamov estão parados há anos. Mas será que Ventura tem razão quando diz que os submarinos também não estão operacionais?

O início do processo de aquisição de submarinos para a Marinha portuguesa remonta a 1993, quando foi publicada a Lei de Programação Militar que previa um investimento até 1997 de 73,8 milhões de contos na "manutenção da capacidade submarina", mas só em junho de 2003 é que o Governo decidiu adjudicar o contrato ao consórcio alemão German Submarine Consortium (GSC). O então ministro da Defesa Nacional, Paulo Portas, foi o principal responsável por essa decisão política e, no dia 21 de abril de 2004, assinou o contrato de compra dos submarinos ao GSC.

Em causa estavam dois submarinos da classe Tridente, o NRP Arpão e o NRP Tridente, que chegaram a Portugal apenas em 2011. Mas quer um quer outro estão ainda ativos, ao contrário do que disse André Ventura. A título de exemplo, a 13 de janeiro de 2020 o submarino português "Tridente" partiu numa "missão de dois meses no Mar Mediterrâneo para recolher informações, de forma discreta, que ajudem no combate ao tráfico de droga e de pessoas".

Apenas 43 dias de patrulha, 900 horas debaixo de água e com 4.500 milhas percorridas no Mediterrâneo Ocidental e Central depois, o aparelho regressou a Portugal com os 33 militares da Marinha que tinha levado a bordo. "No âmbito das operações de segurança marítima 'Sea Guardian', da NATO, e na Operação SOPHIA, da União Europeia, o submarino Tridente recolheu dados de inteligência, analisou padrões de comportamento e efetuou o controlo do espaço marítimo, reforçando assim o combate ao tráfico de drogas, de armas e de pessoas, bem como a vigilância do tráfego e poluição", informou o Governo à data.

Mais recentemente, a 25 de março deste ano, o outro submarino, NRP Arpão, largou da Base Naval de Lisboa para integrar mais uma vez a Operação 'Sea Guardian' da NATO e ainda para participar na Operação IRINI, da União Europeia. De acordo com um comunicado da Marinha Portuguesa, "as características operacionais do submarino, tanto na componente de dissuasão como de recolha de informações, tornam o submarino num meio muito relevante no cumprimento dos objetivos das missões que vai integrar, contribuindo para estabelecer e melhorar o conhecimento situacional marítimo do Mar Mediterrâneo, nos comandos da Aliança e da União".

O submarino NRP Arpão foi comandado pelo capitão-tenente Taveira Pinto, esteve dois meses em operações e regressou a 26 de maio a Portugal. ​"A capacidade de recolha de informações de forma discreta do submarino permitiu detetar e enviar informações relativas a atos ilícitos para os respetivos comandos das operações, que contribuiu para estabelecer e melhorar o conhecimento situacional marítimo do Mar Mediterrâneo", informou a Marinha Portuguesa.

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