"Racismo?! Racismo é darem 800 euros mensais a um refugiado e 300 euros a um reformado que trabalhou 40 anos. Isto é que é puro racismo em Portugal". Esta é a mensagem integral da publicação, baseada na imagem de um suposto idoso reformado que está sentado à beira-rio, com os braços cruzados.

Verdade ou falsidade?

O Polígrafo analisou recentemente uma publicação que difundia uma mensagem parecida, alegando que uma suposta reformada com 40 anos de descontos receberia apenas 250 euros por mês de pensão de velhice (pode ler ou reler aqui). Como verificámos na altura, essa informação é falsa, a não ser que a pessoa tenha sido penalizada ao pedir uma reforma antecipada (hipótese que não era referida na publicação em causa).

De acordo com as normas em vigor, "à pensão de velhice no regime geral, a partir de 1 de janeiro de 2019, são garantidos os seguintes valores mínimos de acordo com a carreira contributiva do pensionista: menos de 15 anos, 273,79 euros; 15 a 20 anos, 286,78 euros; 21 a 30 anos, 316,45 euros; 31 e mais anos, 395,57 euros".

Quanto aos 800 euros por mês que alegadamente recebe um refugiado, o Polígrafo também publicou recentemente um fact-check no qual se indicavam os montantes atribuídos a pessoas nessas condições (pode ler ou reler aqui).

Como esclareceu na altura Mónica Frechaut, vice-presidente da Assembleia Geral do Conselho Português para os Refugiados, "um refugiado reinstalado, ou seja, aqueles que vêm no âmbito de um programa específico do Estado português, têm direito a um apoio pecuniário de 150 euros por pessoa. Quanto maior o agregado familiar, maior o apoio. Pode haver pessoas a receber 900 euros, mas aí estamos a falar de agregados muito grandes. Importa ressalvar que este programa tem uma duração de 18 meses".

Como tal, um refugiado, sozinho, não recebe 800 euros por mês. Seria necessário que se tratasse de um agregado familiar de cinco pessoas para que o montante se cifrasse em 750 euros (150 x 5) por mês, ou de seis pessoas para chegar aos 900 euros.

Em suma, estamos perante uma mensagem duplamente falsa.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações “Falso” ou “Maioritariamente Falso” nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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