A receita está a ser partilhada em várias plataformas, desde o Facebook ao TikTok, mas os ingredientes são quase sempre os mesmos: um maracujá grande, dois copos de água, uma colher de farinha de casca de maracujá e stevia para adoçar.

Segundo um destes posts, “a farinha da casca do maracujá é o ingrediente principal” deste “remédio caseiro”. Isto porque, segundo o autor do post, esta “parte da fruta é rica em pectina, uma fibra que bloqueia a gordura, diminui a absorção de hidratos de carbono e ainda proporciona a sensação de saciedade”.

Em várias publicações recomenda-se consumir este sumo de maracujá “entre as refeições principais, para inibir o apetite para os pratos”. Mas existe evidência científica suficiente para provar esta teoria partilhada nas redes sociais?

É verdade que beber sumo de maracujá emagrece?

Não. Por si só, beber este sumo de maracujá entre as refeições principais não emagrece. Quem o adianta é Catarina Rodrigues, nutricionista e professora da NOVA Medical School (NMS), em declarações ao Viral (o primeiro jornal português de fact-checking de saúde).

Catarina Rodrigues explica que “a ideia de que o maracujá ajuda a emagrecer surgiu após a publicação de um estudo conduzido na Universidade de Campinas, no Brasil”.

Nesse estudo, esclarece a nutricionista, “um grupo de ratos (n=8) foi alimentado com uma dieta rica em gordura, e o outro grupo (n=8) com uma dieta rica em gordura suplementada com farinha da casca do maracujá”.

Depois de “dez semanas de estudo, os autores verificaram que os ratos que consumiram a farinha da casca do maracujá tiveram um ganho de peso e de massa gorda inferiores (menos 13,31% e 22,58%, respetivamente)”, expõe a professora da NOVA Medical School.

Além disso, verificou-se que “o consumo da farinha, ao longo de dez semanas, levou a uma diminuição da secreção de citocinas pró-inflamatórias – que contribuem para a inflamação crónica de baixo grau”, aponta.

Assim sendo, o estudo sugeriu que “este alimento tem a capacidade de diminuir a resposta inflamatória e a acumulação de gordura, podendo ser útil no tratamento da obesidade e de outras doenças crónicas, como a diabetese a doença cardiovascular”.

Nesse sentido, Catarina Rodrigues refere que “a farinha da casca do maracujá é um alimento rico em fibra e em compostos fenólicos (antioxidantes), o que poderá explicar os resultados”.

Isto porque, esclarece a nutricionista, a fibra tem um “papel importante na saciedade e na regulação do apetite”, além de contribuir para “reduzir os níveis de glicose (açúcar) e de colesterol no sangue, através da modulação do microbiota intestinal (conjunto de microrganismos que habitam no intestino)”.

No entanto, estes factos não permitem afirmar que beber sumo de maracujá, por si só, emagrece. Mas porquê?

Em primeiro lugar, assinala Catarina Rodrigues, “importa salientar que este estudo foi conduzido em ratos, e que estes resultados não podem ser extrapolados para a população geral”.

Assim sendo, “apesar de a farinha da casca do maracujá aparentar ter potenciais benefícios para a saúde, são necessários estudos em humanos que corroborem esta alegação”, completa.

Por outro lado, “o processo de perda de peso é um processo complexo, que implica alterações nos hábitos alimentares e no estilo de vida”.

Assim, “este tipo de estratégias - como a inclusão de farinha da casca do maracujá na alimentação - podem ser interessantes, mas não substituem a adoção de um padrão alimentar saudável, que deve incluir alimentos ricos em fibra e compostos fenólicos, como a fruta, os hortícolas e as leguminosas”, conclui.

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