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Esta imagem mostra cinco membros do grupo parlamentar do PSD que se juntaram ao Chega?

Política
O que está em causa?
Esta imagem, partilhada nas redes sociais, alega juntar os "dissidentes" sociais-democratas que acabaram por se juntar, de alguma forma, ao partido de André Ventura. Confirma-se?

O Partido Socialista faz crescer o Chega”, ironiza um “tweet” publicado esta terça-feira, onde as caras de cinco sociais-democratas (e alguns ex-sociais-democratas) se juntam para mostrar que, afinal, é o PSD quem ajuda o partido de direita radical a crescer (pelo menos em número).

Na imagem estão Tiago Moreira de Sá, Lina Lopes, Rui Cristina, Eduardo Teixeira e Henrique de Freitas. Nem todos desfiliados do PSD, mas todos com ligações ao partido de André Ventura. Da transição mais recente à mais antiga, como e quando desertaram estes cinco políticos?

O caminho foi desbravado por André Ventura: em 2018, este social-democrata “traído, apunhalado pelas costas e enganado” deixava o PSD para criar um novo partido. Chamar-se-ia Chega e acolheria, segundo o seu líder, “milhares de pessoas vindas do PSD, CDS e outros partidos”. Henrique de Freitas foi, em janeiro de 2023, o primeiro grande nome dos sociais-democratas a juntar-se ao Chega. Bastaria um ano para que o ex-secretário de Estado da Defesa de Durão Barroso fosse confirmado como candidato a deputado nas eleições legislativas de março deste ano, onde foi eleito pelo círculo eleitoral de Portalegre.

Eduardo Teixeira é o seguinte. O ex-deputado do PSD nas XII e XIV legislaturas integrou o Chega em janeiro deste ano, três meses antes das eleições legislativas em que seria escolhido para cabeça de lista do partido por Viana do Castelo. Como ele, também Rui Cristina surpreendeu ao transitar, sem período de nojo, da bancada parlamentar dos sociais-democratas para a do Chega. O lugar cimeiro na lista do Chega em Évora falou mais alto do que o quinto lugar no círculo eleitoral de Faro pelo PSD e Cristina acabou por sair do PSD a tempo de conseguir ser eleito pelo partido de André Ventura nas eleições de março.

Os últimos dois nomes não integram, para já, a bancada parlamentar do Chega (uma vez que só integraram o partido em abril), mas a sua saída do PSD foi tão polémica quanto as anteriores. Tiago Moreira de Sá fora empurrado, nas legislativas de março, para o inelegível 25.º lugar pelo círculo eleitoral de Lisboa pela AD (um lugar a que renunciou). No Chega há pouco mais que um mês, é agora o segundo na lista para as europeias (logo depois de Antonio Tânger Corrêa).

Com Lina Lopes, ex-deputada do PSD, o caso não foi de mudança. Apesar de ter aceitado ser secretária de Diogo Pacheco Amorim, vice-presidente da Assembleia da República indicado pelo Chega, não há indicação de que Lina Lopes se tenha desfiliado do PSD. Lopes foi deputada ao parlamento nas XIV e XV legislaturas. Nas últimas eleições, a boa relação que mantinha com Rui Rio pode ter sido crucial: caiu do sexto para o penúltimo lugar na lista por Lisboa e, claro, não foi eleita. Apesar disso, garante que o cargo de secretária não é “político” e que quem lhe paga o ordenado é a Assembleia da República e não o Chega.

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Avaliação do Polígrafo:

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