"Pessoal, uma criança em Espinho foi raptada, tenham muito cuidado, não andem sozinhos e se notarem algo de estranho tentem entrar em algum café ou gritar e de seguida chamem logo as autoridades", destaca-se numa das mensagens em causa.

"Eu, a minha irmã e uma amiga minha íamos sendo raptadas há pouco em Espinho. Era uma carrinha Mercedes preta com a matrícula 26-XT-78. As autoridades já foram reportadas. Malta, por favor não andem nunca sozinhos", indica-se noutro suposto testemunho.

"Era um grupo de por volta de 10 pessoas, um deles vestido com uma bata muçulmana branca e lenço vermelho na cabeça. Já os tínhamos visto hoje mais cedo em Espinho. (…) Pelo que as autoridades nos disseram foi uma carrinha alugada em Lisboa", descreve-se em mais um exemplo de alerta.

Raptos espinho

Noutra publicação, entretanto já apagada, exibe-se mesmo uma fotografia de um dos alegados autores dos crimes, indicando que estes se escondem perto das escolas "para violar e matar crianças".

Raptor Espinho

Confirma-se que está em curso uma vaga de raptos e violações de crianças em Espinho?

Não. Questionado pelo Polígrafo, o tenente-coronel João Fonseca, chefe da divisão de comunicação e relações públicas da Guarda Nacional Republicana (GNR), informa que "não há indícios, nem qualquer registo de vítimas relacionadas com os crimes referidos nas publicações".

A GNR alerta para o perigo das fake news, sublinhando que "são informações noticiosas que fogem parcial ou integralmente da realidade, contendo algum tipo de manipulação de um facto real e feitas com um determinado propósito".

Na resposta ao Polígrafo, a GNR destaca também uma série de recomendações "para que os cidadãos não sejam enganados e não enganem ao partilhar notícias falsas":

  • "Esteja atento às imagens que não são partilhadas e que não estão associadas a um link de uma fonte oficial;
  • Verifique o conteúdo da notícia, não se deixe iludir pelo título alarmista;
  • Os erros de ortografia e de construção frásica são um indicador de que a notícia pode ser falsa;
  • Verifique o autor da notícia e desconfie de perfis de contas criadas recentemente;
  • Desconfie das notícias alarmistas não confirmadas em fontes oficiais ou órgãos de comunicação social credíveis;
  • Verifique a data da notícia".

Em suma, as publicações que denunciam uma suposta vaga de raptos e violações de crianças em Espinho não têm fundamento. A GNR garante que "não há indícios, nem qualquer registo de vítimas relacionadas com os crimes referidos nas publicações".

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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