Está a ser partilhada nas redes sociais uma imagem de uma boneca, alegadamente criada pela empresa de brinquedos Mattel (os criadores da série Barbie e Ken), apresentada como "Abortion Barbie" ou "Barbie do Aborto". Na imagem em causa pode ver-se uma boneca, semelhante às Barbie, com o útero preponderante e aquilo que parece representar um feto com uma tesoura no topo.

"Os brinquedos para as crianças estão a tornar-se muito diferentes, porquê? As crianças são o alvo. Isto é muito mau", alerta-se no texto em questão.

Mas será que a "Barbie do Aborto" existe mesmo?

A resposta é negativa. A boneca foi criada por um artista de rua norte-americano conhecido por Sabo e não pela Mattel, companhia responsável pelas bonecas Barbie desde 1959. Na primeira boneca, pode ler-se na caixa "Wendy Davis for Texas State Governor". Davis foi uma candidata a governadora do Texas em 2014 conhecida pela sua postura a favor do aborto. A também advogada era loira, o que levou a que a apelidassem de "Barbie do Aborto".

A boneca e Wendy Davis assinalada a amarelo.

Num vídeo publicado no seu site oficial, o artista explica que criou a peça para "gozar com a senhora Wendy Davis" cuja política se destacou por "apoiar abortos tardios". Sabo afirma que as mulheres devem ser livres de fazerem o que querem com o seu corpo mas refere que "chega a um ponto na gravidez em que aquele aglomerado de células se torna numa pessoa". A seu ver, os abortos não são mais que "carnificina" e que a sua última preocupação era se a Mattel "viria atrás dele".

À revista Time, fonte oficial da Mattel comunicou que "como um ícone da cultura pop, a Barbie é frequentemente trazida à tona como uma parte de conversas mais abrangentes que ocorrem culturalmente" e que "a intitulada boneca Wendy Davis não é produzida ou aprovada pela Mattel".

Sabo criou outra versão da "Abortion Barbie" intitulada de "NYC's Black Genocide" ou, em português, "Genocídio Negro em Nova Iorque". Numa publicação no seu perfil de Facebook, o autor  das bonecas refere que "mais de 50% das crianças negras concebidas em Nova Iorque são abortadas" e que "se houvesse um genocídio, este seria um".

Em suma, não é verdade que a Mattel tenha disponibilizado para vendas bonecas Barbie com esta temática. As "Barbies do Aborto" foram feitas por um um artista de rua como forma de protesto. O Polígrafo já verificou outras publicações da mesma página conservadora e anti-ideologia de género (pode ler aqui e aqui).

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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