Por vezes, entre a ficção científica e os desenvolvimentos tecnológicos existem apenas anos e muito trabalho e alguns projetos parecem ser tão avançados que chegam a confundir-se com mitos. Neste caso, falamos da criação de “uma retina artificial para substituir a ação dos fotorrecetores naturais do olho, quando destruídos por degeneração macular relacionada com a idade (DMRI)”. Ou seja, trata-se de uma tecnologia que permite recuperar a visão que foi danificada pelas lesões progressivas da mácula.

A publicação em causa - denunciada como fake news por vários utilizadores do Facebook - baseia-se num artigo da página "Noticias de Israel", no qual se informa que o projeto está a ser desenvolvido por Yael Hanein, diretora do Centro de Nanociência, Nanotecnologia e Nanomedicina na Universidade de Tel Aviv, e que “o objetivo da visão computacional é na realidade substituir estes fotorreceptores destruídos por um dispositivo que imita o sistema natural que percebe a informação visual, capaz de transferir sinais elétricos ao cérebro”. Mas será verdade?

Sim. O Polígrafo contactou a investigadora que lidera o projeto para perceber em que consiste esta nova tecnologia e em que fase se encontra. “Estamos a trabalhar nesta tecnologia há mais de 10 anos e agora estamos à procura, através de colaborações, dos melhores materiais para estimular a retina de forma mais eficaz”, respondeu Yael Hanein por e-mail, referindo-se a uma parceria recentemente estabelecida com a Universidade de Linking, na Suécia.

“A tecnologia é baseada em semicondutores orgânicos que são construídos para responder à luz gerando um pequeno campo elétrico local. Este campo elétrico é forte o suficiente para provocar a ativação neuronal que é percebida pelo cérebro com uma fonte de luz”, esclarece a investigadora. “Ao implementar vários elementos semicondutores é possível gerar uma imagem inteira. Ao contrário de outras tecnologias, este eletrónico orgânico pode ser implementado em materiais de substrato delicado e introduzido no olho com um processo cirúrgico suave”.

Neste momento da investigação, a tecnologia destina-se apenas a pacientes com retinite pigmentosa - uma “degeneração rara e progressiva da retina que pode levar à perda da visão moderada a grave”, segundo a descrição do Manual MSD -, mas o objetivo é que venha a ser aplicada também a pessoas com DMRI, sendo “imperativo alcançar uma resolução muito superior”, acrescenta a professora.

Presentemente, Hanein está a desenvolver dois projetos com o mesmo objetivo: criar uma retina artificial para restabelecer a visão a pacientes cegos. “O primeiro é numa companhia israelita chamada Nano Retina, onde esperamos poder começar os ensaios e testes do implante em humanos. O segundo é a nossa pesquisa em que esperamos trabalhar na nova tecnologia baseada em materiais novos. Com este esforço temos conseguido testar o sistema em laboratório e começámos a trabalhar com animais, mas estamos ainda longe da fase dos ensaios humanos”, ressalva.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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Verdadeiro: as principais alegações do conteúdo são factualmente precisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações "Verdadeiro" ou "Maioritariamente verdadeiro" nos sites de verificadores de factos.

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