"Porque a roupa não tem género, sexta usamos saia", destaca-se num dos cartazes exibidos no post de 13 de maio. "Habilita-te a ganhar 10 euros. Põe uma foto no insta a usar saia (sozinho ou acompanhado) e habilita-te a ganhar um cartão da Steam de 10 euros e brindes surpresa", lê-se no segundo cartaz, com uma imagem de um homem de saia e referência à Escola Básica e Secundária de Carcavelos (EBSC), em Cascais.

A partir daqui conclui-se que na escola em causa "paga-se aos alunos do sexo masculino para que usem saia", gerando uma vaga de comentários negativos. A título de exemplo: "Vão politizá-los, que escândalo"; "Isto é um crime contra os nossos jovens e é por demais óbvio que esta corja repugnante quer acabar com a masculinidade. Vamos exigir que estes bandalhos sejam punidos pelos seus crimes e que nunca mais se possam aproximar de uma escola"; "Esta escola devia ser fechada pelos pais e exigida a demissão do conselho executivo ou administração ou o raio que os parta a todos!"

O Polígrafo apurou que se trata de uma iniciativa da Associação de Estudantes da EBSC e contactou a respetiva presidente, Ana Raimundo, a qual começa por explicar que "o intuito da atividade é apelar à não discriminação e ao respeito pela liberdade de expressão. Na nossa comunidade escolar existem algumas pessoas que já sofreram por questões relacionadas com a sua identidade de género ou forma como se vestem, por isso achámos adequado juntarmo-nos ao movimento para mostrar apoio aos nossos colegas".

"A única resposta possível às críticas que encontrámos nas redes sociais é manifestar o nosso descontentamento e até tristeza com o facto de alguns adultos conseguirem distorcer e denegrir as ideias dos jovens com o intuito de tirarem de lá algum proveito", lamenta Ana Raimundo, presidente da Associação de Estudantes da EBSC.

Questionada sobre se a atividade "Sexta usamos saia" (a decorrer hoje, dia 14 de maio, na EBSC) já tinha sido desenvolvida em anos anteriores, Raimundo sublinha que "nunca tinha acontecido na nossa escola, no entanto já tinha acontecido noutras escolas, quer portuguesas, quer de outros países".

Relativamente à atribuição de prémios, a jovem aluna diz que "qualquer pessoa que apoie a causa pode colocar as suas fotos nas redes sociais, quer publicamente, quer de forma privada. O brinde será atribuído, naturalmente, a um aluno da escola, uma forma simbólica de elogiar a criatividade dos alunos que se têm mostrado muito interessados e participativos em todas as atividades promovidas até à data. Como tal, o principal critério é a criatividade com que os alunos abordam o tema".

Quanto à reação crítica nas redes sociais, baseada aliás numa alegação falsa (na verdade, o prémio é atribuído pela Associação de Estudantes, não pela EBSC, resultando de "sobras de um torneio de videojogos"), Raimundo destaca que "ao nível interno todo o feedback recebido tem sido positivo, nenhum elemento da comunidade escolar nos contactou no sentido contrário. No entanto, sabemos que algumas entidades externas têm vindo a tecer críticas à iniciativa ao longo destes últimos dois dias. Percebemos que alguns simplesmente não perceberam o intuito da atividade e também que outros se estão simplesmente a aproveitar politicamente do mediatismo que se criou à volta da mesma. Coisa que não queremos de forma alguma alimentar".

"Não queríamos ver esta atividade associada a quaisquer ideologias políticas, queremos apenas criar um clima de tolerância e respeito e principalmente combater a discriminação. Assim sendo, a única resposta possível às críticas que encontrámos nas redes sociais é manifestar o nosso descontentamento e até tristeza com o facto de alguns adultos conseguirem distorcer e denegrir as ideias dos jovens com o intuito de tirarem de lá algum proveito", conclui.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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