O primeiro jornal português
de Fact-Checking

Escola Básica em Portimão serviu peixe frito com larvas a alunos?

Sociedade
O que está em causa?
Alunos da Escola Básica e Secundária da Bemposta, em Portimão, foram surpreendidos por um prato de peixe frito com larvas ao almoço. O caso chegou à rede social X, onde se alega que a diretora responsável se dirigiu aos alunos para informar que os "peixes comem outros peixes", que a situação era "normal" e que não "precisavam de tirar fotografias". Direção da escola garante ao Polígrafo que não houve contaminação.

“Almoço do dia 22 de janeiro servido na Escola Básica e Secundária da Bemposta em Portimão. A senhora diretora da escola – Dra. Sandra Tenil – quis falar com as crianças individualmente sobre o facto de terem tirado fotos e terem enviado aos encarregados de educação. Onde andam as autoridades deste país?”, denuncia-se num tweet de 24 de janeiro em que se exibem três imagens da suposta refeição servida naquela escola: peixe frito contaminado com larvas.

Mas há mais. Acrescenta-se que a “professora Sandra Tenil se dirigiu aos os alunos para informar que os peixes comem outros peixes, que tudo isto é normal e que não precisavam de tirar fotografias” e que a cozinheira da escola está “sem dormir por causa dos alunos terem tirado fotografias à refeição que lhes foi servida”.

“Ao que parece, foi tudo negado numa reunião com a Câmara Municipal de Portimão. Relatos dos encarregados de educação dizem ser frequentes as dores abdominais e gastroenterites nos alunos, bem como as queixas destes em relação à comida, facto que foi sempre desacreditado pelos encarregados de educação até à passada segunda-feira. O caso seguiu para as autoridades competentes”, remata o autor da publicação, que também circula no Facebook.

A situação foi esta quinta-feira, 25 de janeiro, noticiada pelo jornal “Correio da Manhã” – que falou com uma das encarregadas de educação – e pelo jornal local “Barlavento“, que informa que o PSD de Portimão “quer abrir inquérito à suposta presença de larvas numa porção de peixe frito servida na cantina da Escola Básica e Secundária da Bemposta”.

A direção escolar emitiu ontem um comunicado em que informa que foi acionado “o protocolo estabelecido na lei, em articulação com a Empresa de Análise de Perigos e Controlo Críticos, que acompanha regularmente os procedimentos de higiene, conservação, manipulação e confeção de alimentos de todas as cantinas e bares” e garante que não se verificou “perigo para a saúde dos alunos, professores e funcionários”.

Ao Polígrafo, a direção da escola informa que só teve “conhecimento da suposta situação, à posteriori, através das imagens difundidas nas redes sociais”, não tendo sido “reportada, no dia em questão, qualquer situação anómala no fornecimento de refeições, nem por alunos, nem pelo pessoal docente e/ou não docente”.

Perante as imagens difundidas, a direção deu “início imediato ao protocolo estabelecido na lei, em articulação com a empresa de HACCP”, tendo sido dado “acesso a todas as amostras que consideraram pertinentes, bem como à monitorização do espaço e procedimentos”.

Sandra Tenil, diretora do estabelecimento escolar, afirma não ter sido reportada “por parte dos alunos e restantes colaboradores que consumiram a refeição escolar qualquer sintomatologia, nem tal foi reportado pelas Entidades de Saúde” e garante que “não se encontra comprovada qualquer contaminação“.

A diretora da escola em causa rejeita ter sido “sugerido aos alunos para não falarem sobre esta situação nem qualquer outra” e que “todas as questões colocadas sobre a eventual situação foram devidamente esclarecidas para tranquilizar a comunidade educativa”.

Contactada pelo Polígrafo, a Diretora do Departamento de Saúde Pública e Planeamento da ARS Algarve informa que a delegada de saúde de Portimão “esteve desde o início a par da situação e esteve no local, com a Técnica de Saúde Ambiental e dois Médicos Internos de Saúde Pública, sem qualquer constrangimento e acompanhada por elementos da Direção da Escola, que prestaram todas as informações solicitadas”.

Esclarece-se também que foi feita a “observação e recolha de amostras da refeição cozinhada (guardada conforme exigência legal)” e observado “o resto do peixe utilizado, solha congelada, que estava ‘em ótimas condições‘”. O peixe em causa “tinha sido adquirido congelado” e “os alunos não se manifestaram no momento” nem “ninguém observou o que revela a fotografia (única suposta prova)”, segundo “informação confirmada por um encarregado de educação da turma”.

O Polígrafo contactou a Câmara Municipal de Portimão (CMP) que confirmou o que foi alegado pela direção escolar e acrescentou que tanto a escola como a autarquia só tiveram conhecimento do situação “muitas horas depois da mesma ter supostamente acontecido”.

A CMP informa que “a amostra recolhida encontra-se a ser analisada no Laboratório Regional de Saúde Pública Laura Ayres”, tendo a situação sido “comunicada à ASAE” e a ser “monitorizada na Pediatria do Hospital de Portimão, não existindo registos de problemas de intoxicação alimentar associados a este acontecimento”.

A autarquia adianta que no seguimento do caso “foi dado conhecimento das imagens à Direção Geral de Veterinária”, que, após análise, indicou que “qualquer parasita existente no peixe não criava qualquer perigo para a saúde pública, uma vez que se tratava de um produto congelado e que o mesmo foi sujeito às temperaturas altas da fritura”.

Contactada pelo Polígrafo, a ASAE esclarece que após as “denúncias recebidas e, no âmbito das suas competências, deslocou-se esta manhã à Escola Básica e Secundária da Bemposta em Portimão, tendo apreendido no local géneros alimentícios utilizados na confeção da refeição em questão e em sequência procede ao registo de processo crime por géneros alimentícios corruptos ou avariados, encontrando-se em curso as adequadas diligências processuais de investigação”.

_____________________________

Nota Editorial: Artigo atualizado às 16h12 para acrescentar resposta enviada pela Câmara Municipal de Portimão e às 21h30 para inserir a resposta enviada pela ASAE no seguimento das questões solicitadas. Não foi feita qualquer alteração da avaliação.

_____________________________

Avaliação do Polígrafo:

Partilhe este artigo
Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn

Relacionados

Fact checks mais recentes