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“Enorme estupefação”. Vídeo mostra reação do ministro Miguel Pinto Luz após buscas na Câmara de Cascais?

Política
O que está em causa?
A notícia que dava conta de que a Polícia Judiciária (PJ) estava a realizar buscas na Câmara Municipal de Cascais, avançada pela revista “Sábado”, foi uma das que marcou a manhã desta quarta-feira. Especialmente porque tal iniciativa policial surgiu no seguimento de uma investigação que visa o Executivo do qual fazia parte Miguel Pinto Luz. Confirma-se que o agora ministro das Infraestruturas e da Habitação já reagiu à notícia?

“Última hora: Miguel Pinto Luz reage às buscas na Câmara de Cascais”, assim se introduz uma publicação partilhada, esta quarta-feira, na rede social X/Twitter, na sequência da operação levada a cabo pela Polícia Judiciária (PJ) na referida autarquia, no contexto de um inquérito relacionado com uma fábrica de máscaras cirúrgicas criada por altura da pandemia de Covid-19.

A acompanhar a alegação, surge um vídeo que exibe o atual ministro das Infraestruturas e da Habitação a proferir, numa entrevista televisiva, aquela que seria a sua opinião relativamente a esse caso. E diz, nesse momento, o seguinte: “O PSD reage a este comunicado com enorme estupefação. Aquilo que temos vindo a dizer, que todo este caso está envolto numa enorme nebulosa em que a verdade vem aos bochechos, cada vez mais tínhamos razão quando, a seu tempo, apontámos a pouca clareza de todo este processo.” 

A tudo isto acrescenta também: “Ora, a verdade não pode vir a conta-gotas, a verdade é só uma e é essa que os portugueses querem urgentemente saber. E essa é a posição do PSD agora, num comunicado que tivemos conhecimento há poucos minutos e, portanto, não queremos alongar-nos muito mais sobre ele.”

Mas será que estas declarações de Miguel Pinto Luz surgiram mesmo a respeito da investigação que visa o Executivo autárquico do qual fez parte?

Não. Na verdade, estas exatas afirmações foram proferidas a 20 de janeiro de 2023, no programa “CNN Prime Time”, da CNN Portugal, pelo próprio Miguel Pinto Luz. Porém, a razão que as motivou era bem diferente do que aqui se alega. 

É que na data citada Pedro Nuno Santos (agora secretário-geral do PS) emite um comunicado onde, já depois de ter apresentado a sua demissão do cargo de ministro das Infraestruturas, oferece mais alguns esclarecimentos sobre o caso que o levou a tomar tal decisão: a polémica indemnização de 500 mil euros oferecida a Alexandra Reis no momento em que a profissional abandonou a administração da TAP. Nesse esclarecimento enviado às redações, revela que foi informado do “valor da compensação”, à qual deu a sua  “anuência política”.

De facto, no programa acima citado, a jornalista Cristina Reyna questiona Miguel Pinto Luz, na qualidade de “vice-presidente do PSD”, sobre a sua “reação a este comunicado de Pedro Nuno Santos”. Pelo que se conclui que a alegação alvo de análise não tem qualquer tipo de fundamento.

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Avaliação do Polígrafo:

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