A violência verbal atingiu quase instantaneamente um ponto de ebulição que levou a desativar a caixa de comentários da publicação de 13 de dezembro no Instagram, na conta da empresa israelita Harey Zahav ("Montanhas Douradas", em tradução livre a partir do original em hebraico). A imagem de uma série de vivendas projetadas para construção sobre os escombros da guerra na Faixa de Gaza motivou expressões de ódio, indignação e ameaças. Mas o anúncio permanece visível até hoje, dia 18 de dezembro.

"Acorde, uma casa na praia não é um sonho", destaca-se na publicação que remete (via hashtag) para Neve Dekalim, antigo colonato israelita no Sul da Faixa de Gaza (integrado em Gush Katif, bloco de colonatos naquela região) que acabou por ser evacuado em 2005, no âmbito do plano de separação unilateral implementado pelo então Primeiro-Ministro de Israel, Ariel Sharon - em síntese, retirada total da Faixa de Gaza e também de quatro colonatos na Cisjordânia.

Na página da empresa Harey Zahav promovem-se vários empreendimentos imobiliários situados em colonatos israelitas na Cisjordânia: Emanuel, Kedem - Avnei Hepetz, Reichan, Dotan, Neriah, etc. A maior parte das imagens são reais (de construções já concluídas no terreno) e retratam casas que estão à venda "no mercado".

A imagem em causa das vivendas na Faixa de Gaza é diferente: não é real, mas consiste na simulação de um projeto que estará em fase de planeamento. "Nós na Harey Zahav estamos a trabalhar e preparar o terreno para o regresso a Gush Katif", realça-se no polémico anúncio. "Esperamos que num futuro próximo todos os reféns sejam devolvidos em segurança às suas famílias, os nossos soldados regressem a casa e possamos iniciar a construção na Faixa de Gaza, em todo o Gush Katif."

O Polígrafo contactou a empresa israelita e pediu mais informação sobre este projeto imobiliário, mas não obteve resposta.

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