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Empresa financiada por Bill Gates é responsável por surgimento de casos de malária nos EUA?

Internacional
O que está em causa?
Nas redes sociais, lança-se a suspeita de que uma empresa financiada pelo co-fundador da Microsoft "libertou mosquitos" e que agora, nesses locais, surgiram casos de malária após 20 anos sem um único caso. O "tweet" original foi repartilhado noutras redes e acabou por se tornar totalmente viral, mas terá razão?

“Deve ser coincidência que, entre 2003 e 2023, não tenha havido um caso de malária propagado por mosquitos. E, então, chega uma empresa financiada por Bill Gate para resolver um problema que não existe e, de repente, precisamente nos sítios onde ele libertou mosquito há um surto de malária?”. Esta “teoria da conspiração” foi partilhada num “tweet”, mas rapidamente saltou para outras redes sociais. 

De acordo com a autora da alegação – que no Twitter se descreve como “conspiracionista” e “melhor amiga de Bill Gates” – o aparecimento de surtos de malária está diretamente relacionado com uma empresa financiada pelo co-fundador da Microsoft.

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Efetuando uma pesquisa pelo surgimento de casos de malária, é possível identificar um surto durante este ano nos Estados do Texas e na Flórida, nos Estados Unidos da América (EUA). Com base nestes dados, o “tweet” parece aludir à Oxitec, uma empresa com instalações de pesquisa perto de Oxford que recebeu financiamento da Fundação Bill e Melinda Gates. E, de facto, a empresa libertou espécies de mosquitos geneticamente modificadas que acasalam com pragas locais para criar descendentes que não sobreviverão até a idade adulta. O objetivo seria reduzir a população de pragas e não criar surtos de malária.

Até agora, estes mosquitos foram libertados apenas na Flórida, mas a espécie não transmite malária, contrariamente ao que é indicado. De acordo com declarações de um porta-voz da Oxitec à plataforma de fact-checking “Full Fact”, não há “absolutamente verdade nenhuma nessas alegações” e isso é “cientificamente impossível”.

No dia 26 de junho, o Centro de Controlo de Doenças e Prevenção (CDC) confirmou numa nota o surgimento de quatro casos e indicou ainda que desde 2003 que não existia registo de casos locais de malária nos Estados Unidos, sendo este último dado e o surto de 2023 os únicos factos verdadeiros na alegação.

Não é, no entanto, verdade que o problema não existe visto que os Estados Unidos continuam a registar caso importados da doença, tal como expressa a CDC: “Quase todos os casos de malária nos Estados Unidos são importados e ocorrem em pessoas que viajam de países com transmissão de malária, muitos da África subsaariana e do sul da Ásia”.

“Antes da pandemia de COVID-19, aproximadamente 2.000 casos de malária principalmente relacionada a viagens eram diagnosticados nos Estados Unidos anualmente”, lê-se ainda. Entretanto, o Departamento de Saúde da Flórida atualizou os dados após terem surgido mais dois casos de malária no estado da Flórida no dia 7 de julho, como noticia a CNN.

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Avaliação do Polígrafo:

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