"JLO [João Lourenço] mandou cortar a Internet no dia das eleições para roubarem os vossos votos. Atenção angolanos, a ditadura chegou ao extremo. Não permitam isso". Assim se comenta numa das publicações do suposto comunicado da Unitel que começou hoje, dia 19 de agosto, a ser partilhado nas redes sociais.

Em poucas horas, um comunicado da empresa prestadora de serviços de telecomunicação angolana Unitel tornou-se viral nas redes sociais por, alegadamente, anunciar o "congelamento da rede" entre os dias 22 e 28 de agosto, período eleitoral em Angola. As eleições gerais estão marcadas para dia 24 de agosto e os principais candidatos são João Lourenço, atual Presidente de Angola e cabeça-de-lista do MPLA, e Adalberto Costa Júnior, líder da UNITA.

O comunicado foi publicado originalmente pelo portal informativo angolano "Club K", num artigo intitulado: "Regime angolano manda cortar internet no dia das eleições".

No documento a circular nas redes sociais informa-se que, durante o período mencionado, "não estão autorizadas execuções de atividades que impliquem a interrupção ou perturbação dos elementos de rede e serviços em produção". Lê-se ainda que, "tendo em conta o pleito eleitoral de 24 de agosto e a consequente demanda de serviços de voz"(...) "esta medida visa, sobretudo, garantir a estabilidade e qualidade de rede e serviços para todos os cliente Unitel".

Ora, a interpretação que está a ser feita deste comunicado nas redes sociais é errada, tal como se percebe no próprio texto. Em primeiro lugar, importa esclarecer que esta nota informativa é uma comunicação interna, ou seja, "dirigida aos colaboradores da Unitel", tal como esclarece ao Polígrafo o Engenheiro José Mavungo, diretor de operações e supervisão da Unitel.

Na prática, o "freeze" na rede anunciado neste comunicado consiste em "não realizar atividades que não sejam de carácter urgente e que possam de alguma forma gerar instabilidade na rede, ou seja, as equipas da Unitel é que não estão autorizadas a executar determinadas atividades na rede", informa o diretor de operações, que garante ainda que estas são questões técnicas que "não afetam os clientes, nem os seus telemóveis".

"A Unitel, dentro dos seus procedimentos e dentro daquilo que é habitual, tem vindo a agir desta forma, em termos do cancelamento das atividades na rede por parte das áreas técnicas, para evitar que nos períodos em que há uma demanda acima da média dos serviços da Unitel não exista perturbação de serviços", explica Mavungo. E apresenta como exemplos de ocasiões em que este procedimento foi efetuado os períodos de festividades natalícias e de Ano Novo, ao longo dos anos, bem como situações mais específicas, tal como a visita do Papa Bento XVI a Angola, em 2009.

Em relação às acusações realizadas nas redes sociais, o diretor afirma que a empresa "não se revê nessas informações" e garante que a Unitel "não tem nada a ver com o que está a circular", bem como "já emitiu uma nota de repúdio em relação às mesmas". "Esta paragem das equipas técnicas não tem relação direta com as eleições, visa apenas garantir que haja continuidade dos serviços e que a rede esteja estável neste período. Ou seja, ao contrário do que está a ser veiculado nas redes sociais, de que a Unitel vai cortar os serviços, a ideia é precisamente que não existam perturbações ou dificuldades no uso dos serviços", clarifica.

Durante o dia de hoje, a Unitel emitiu uma nota de esclarecimento, com os mesmos pontos-chave que constam da explicação apresentada ao Polígrafo por este membro da administração. Mais uma vez, a empresa afirma que se "desmarca das situações que estão a ser postas em causa e que estão completamente fora do espírito e da finalidade do documento interno em questão".

Em suma, é falso que uma empresa de telecomunicações angolana planeia "cortar a internet no dia das eleições". A informação começou a circular devido à divulgação indevida de um comunicado interno em que se informava a equipa técnica de que seriam suspensas intervenções técnicas, bem como lançamento de serviços e de alteração de tarifários. Ou seja, a intenção da empresa seria a de preservar o tráfego na rede e não o contrário.

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