A publicação em causa espalhou-se ao nível global e serviu para alimentar teorias de conspiração em torno de uma alegada operação de encobrimento da real dimensão da epidemia por parte das autoridades da República Popular da China. Disseminada sobretudo nas redes sociais, a ideia subjacente é simples: a cremação em massa dos corpos das vítimas impossibilitaria saber o número total de mortos.

O tweet viral chegou mesmo a saltar das redes sociais para as páginas de jornais como os britânicos "The Sun" e The Express", entre outros, que validaram a informação dos dados de satélite indicando um aumento exponencial das emissões de gás de dióxido de enxofre (SO2) sobre Wuhan. A "Snopes" (plataforma norte-americana de fact-checking) realça que o jornal "The Sun" foi ainda mais longe ao descrever as imagens do tweet como demonstrativas da "extensão da queima de cadáveres em Wuhan".

Os referidos jornais acabaram contudo por apagar ou corrigir tais artigos. Desde logo porque os dados exibidos no tweet não correspondem - ao contrário do que é alegado - a uma observação em tempo real das concentrações de SO2 sobre Wuhan. De acordo com a "Snopes", trata-se na verdade de imagens computadorizadas de previsão das concentrações de SO2 num determinado espaço e tempo, baseada nos registos históricos da área e nas condições atmosféricas do momento.

Por outro lado, a emissão de gás SOa partir da cremação de corpos humanos não é significativa. A "Snopes" avança com uma possível explicação: a queima de carvão em centrais elétricas ou no âmbito da produção industrial de ferro e aço gera emissões significativas de SO2 e, não por acaso, na área de Wuhan representada nas imagens como um foco de concentrações desse gás encontra-se implantada, precisamente, uma unidade de produção industrial de ferro e aço - a Wuhan Iron and Steel Corporation, na sua denominação em língua inglesa.

A publicação sob análise difunde assim falsidades e reproduz desinformação. Não obstante, esta conclusão não implica que o número de cremações de corpos não tenha aumentado nas áreas mais afetadas pela propagação do Covid-19 na China. No início de fevereiro, de acordo com vários meios de comunicação social, as autoridades chinesas anunciaram que iriam proibir a realização de funerais das vítimas da epidemia e impor a prática de cremação imediata dos cadáveres.

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