"Nem na última semana, antes de fechar tudo completamente, se pode trabalhar. Miséria de país. Vale tudo", lê-se na mensagem enviada ao Polígrafo por um leitor, que denunciou a situação através de cinco fotografias da carrinha bloqueada. O veículo, cuja função era servir de posto de testagem à Covid-19, estava estacionado na Avenida 24 de julho, em Lisboa, nas "Escadinhas da Praia".

Ao lado, estão as discotecas Kremlin e Hyper, o destino de quem é testado na carrinha em questão. Esta parceria entre o centro de testagem e as duas discotecas estava explícita na parte frontal da carrinha, onde consta uma série de documentos: certidão de registo, licença dos funcionários, preço dos testes e a informação de que aquele era um posto de testagem quer da Kremlin quer da Hyper.

O Polígrafo entrou em contacto com a EMEL, que confirma desde logo que "a carrinha em questão foi bloqueada" esta quarta-feira, 22 de dezembro, de manhã. Segundo a empresa, o veículo encontrava-se "indevidamente estacionado numa zona de Cargas e Descargas e em cima do passeio, obrigando os peões a circularem no meio da faixa de rodagem, e perturbando, assim, a mobilidade das pessoas e respetiva segurança".

  • Imagem viral: Carrinha da EMEL foi bloqueada pela própria empresa municipal?

    Está a ser partilhada no Twitter, ao ponto de se tornar viral. A fotografia mostra uma carrinha da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) que, aparentemente, terá sido bloqueada com o mesmo tipo de dispositivo utilizado pela EMEL nos veículos em situação de estacionamento irregular. Terá sido esse o caso?

A EMEL remeteu ao Polígrafo uma fotografia tirada pelos fiscais da empresa, que comprova o estacionamento indevido da carrinha através do sinal de zona de estacionamento proibido, "exceto cargas e descargas".

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O Polígrafo questionou ainda a EMEL se o facto de se tratar de um centro de testagem móvel não teve qualquer influência na ação dos fiscais, uma vez que as carrinhas têm que trabalhar num local onde o estacionamento é complicado e, por vezes, apenas disponível a muitos metros dos bares e discotecas a que estes postos de destinam. No entanto, a empresa não respondeu a esta questão.

À "SIC Notícias", o dono de uma das discotecas referiu que o posto móvel de testagem estava autorizado pela Câmara Municipal de Lisboa e que "quando encontrou a viatura bloqueada contactou a EMEL, que confirmou a existência de um email a autorizar o estacionamento". Na sequência do episódio, o dono do estabelecimento terá que pagar uma multa de 102 euros e, só depois, reclamar o dinheiro.

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