"Em Portugal, pelo menos uma em cada 10 pessoas empregadas são pobres. É triste, muito triste", realça-se num post de 10 de novembro no Facebook, remetido ao Polígrafo com pedido de verificação de factos.

Parece-se basear-se nos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) referentes ao ano de 2018, plasmados no boletim sobre "Rendimento e Condições de Vida" que foi publicado a 26 de novembro de 2019. A partir do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento realizado em 2019 (sobre rendimentos do ano anterior), o INE apurou que "o risco de pobreza para a população empregada foi de 10,8% em 2018, mais 1,1 p.p. que no ano anterior".

Ou seja, cerca de um em cada 10 trabalhadores estavam em risco de pobreza em 2018.

No entanto, há dados mais recentes. No dia 17 de dezembro de 2021, o INE publicou o último boletim sobre "Rendimento e Condições de Vida", com base no Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, desenvolvido em 2021 e incidindo nos rendimentos do ano anterior.

Informou então que "18,4% das pessoas estavam em risco de pobreza em 2020, mais 2,2 pontos percentuais (p.p.) do que em 2019. A taxa de risco de pobreza correspondia, em 2020, à proporção de habitantes com rendimentos monetários líquidos (por adulto equivalente) inferiores a 6.653 euros (554 euros por mês). O crescimento do risco de pobreza foi mais severo no caso das mulheres (mais 2,5 p.p., de 16,7% em 2019 para 19,2% em 2020), em particular no caso das mulheres idosas (mais 3,0 p.p., de 19,5% para 22,5%)".

"Em 2021 (rendimentos de 2020), em Portugal, 2.302 milhares de pessoas encontravam-se em risco de pobreza ou exclusão social (pessoas em risco de pobreza ou vivendo em agregados com intensidade laboral per capita muito reduzida ou em situação de privação material e social severa). Consequentemente, a taxa de pobreza ou exclusão social foi de 22,4%, i.e. mais 2,4 p.p. do que no ano anterior", realçou o INE.

Quanto aos trabalhadores, mais especificamente, "o risco de pobreza para a população empregada aumentou 1,6 p.p., atingindo uma taxa de 11,2% em 2020, o valor mais elevado dos últimos 10 anos".

Ou seja, o risco de pobreza entre a população empregada até aumentou entre 2018 e 2020, passando a afetar cerca de 1,1 em cada 10 pessoas. Dada a proximidade entre as percentagens em causa, 10,8% para 11,2%, não deixamos obviamente de aplicar o selo de "Verdadeiro".

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Avaliação do Polígrafo:

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