"Que sanções?", começa por se ironizar no post de 12 de maio no Facebook. "Receitas petrolíferas russas atingem valor recorde. Os dirigentes europeus não têm a coragem de assumir que as sanções estão a provocar mais danos aos cidadãos da Europa do que à ditadura de [Vladimir] Putin, que ganha mais dinheiro do que nunca (…). Os nossos anti-Putinistas de sofá devem estar satisfeitos com esta notícia. Putin tem dinheiro fornecido pela Europa para continuar a chacinar e a destruir a Ucrânia", lê-se no texto em causa.

"A Europa deve unir-se para conseguir a paz e não alimentar falsas esperanças de que a Ucrânia possa ganhar com esta guerra. A estratégia europeia, a reboque dos interesses norte-americanos, é um falhanço completo aa nível político, militar e económico. Quem não vai aguentar as sanções é a Europa", vaticina-se.

Esta publicação foi denunciada para verificação de factos pelo Polígrafo que se centra na principal alegação sobre o aumento das receitas petrolíferas da Rússia, enquanto decorre a guerra da Ucrânia.

Os dados são do SWP - Stiftung Wissenschaft und Politik (Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e Segurança) e indicam que, na Rússia, as receitas provenientes do petróleo e do gás natural atingiram um novo recorde em abril: em específico, foram 1,8 triliões de rublos acumulados em apenas um mês, logo depois do recorde de 1,2 triliões registado em março. Quatro meses passados desde o início do ano, o Orçamento Federal da Rússia já obteve 50% da receita planeada com a venda de petróleo e gás natural para 2022 (9,5 triliões de rublos). Estes números foram tratados por Janis Kluge, membro do referido think tank alemão.

De acordo com o mais recente relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), as receitas de petróleo da Rússia "aumentaram 50% este ano". No relatório mensal divulgado no dia 12 de maio, a IEA informou que "apesar da crescente pressão internacional e da queda na produção de petróleo, as exportações russas [de petróleo] mantiveram-se, até agora, em alta". E permitiram a Moscovo um retorno financeiro "inesperado" em comparação com os primeiros quatro meses de 2021.

Tal como o Polígrafo tinha já verificado, o Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (CREA), que analisou os movimentos de transporte e cargas, chegou à conclusão de que a Europa continua a financiar, através de importações de combustíveis fósseis, a guerra de Vladimir Putin. De outra forma, a Rússia ficaria a perder:

"A curto prazo, a Rússia não tem um substituto para a Europa como fonte de exportações (…). Reconhecendo esses fatores, a Agência Internacional de Energia previu uma queda de quase 15% na produção de petróleo no final de abril e de 25% em maio. No entanto, a realidade é que o aumento dos preços dos combustíveis fósseis mais do que compensa a redução nos volumes."

De acordo com o CREA, em mais de dois meses a Rússia exportou 58 mil milhões de euros em combustíveis fósseis (valores atualizados a 17 de maio). Isto deste o início da invasão da Ucrânia, ou seja, dia 24 de fevereiro. Note-se que só a União Europeia foi responsável pela importação de 70% deste montante, cerca de 39 mil milhões de euros.

Alemanha, Itália, China, Países Baixos, Turquia e França estão entre os principais importadores, com quantidades de combustíveis fósseis que superam os 9,1 mil milhões de euros, 6,9 mil milhões de euros, 6,7 mil milhões de euros, 5,6 mil milhões de euros, 4,1 mil milhões de euros e 3,8 mil milhões de euros, respetivamente.

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Avaliação do Polígrafo:

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