"Em 10 anos o Euro desvalorizou 30% em relação ao Dólar; terá sido um percalço, ou uma tendência normal de mercado? E este, não costuma mentir! Valoriza os ativos no médio/longo prazo, de acordo com aquilo que esses ativos valem realmente! No caso das moedas nacionais ou do transnacional Euro, estas são valorizadas de acordo com a 'saúde' das economias onde essas moedas são utilizadas", destaca-se num post de 6 de agosto no Facebook.

"Então como se explica que o Euro tenha desvalorizado desta maneira em relação ao Dólar? Julgo que a primeira grande 'facada' foi a crise da dívida soberana; em que se percebeu que os Estados do Sul da Europa tinham economias fortemente endividadas, com pouca capacidade de as pagar; percebeu-se também que algumas dessas economias só se aguentavam com base na subsidiodependência; pelo facto de as suas economias terem perdido capacidades produtivas; pelo facto de as suas produções de bens e serviços não serem valorizadas com alto valor acrescentado; as produções europeias que realmente contavam ao nível global estavam centralizadas em alguns países da Europa Central; os superavits comerciais aconteciam nesses países; os deficits comerciais nos restantes; e assim, o Euro tem sido valorizado nos mercados, em função dos excedentes financeiros globais da União Europeia, acontecidos nalgumas economias, mas levando em conta a existência de países com economias fortemente limitadas", acrescenta-se.

De facto, o Euro e o Dólar dos EUA atingiram um nível de quase paridade entre os dias 12 e 16 de julho, sempre abaixo de 1,010 dólares. Entretanto o Euro já valorizou ligeiramente (1,0285 dólares a 12 de agosto), mas o facto é que as duas moedas permanecem num nível muito próximo da paridade.

Analisando os dados compilados pelo Banco de Portugal verificamos que este nível de quase paridade entre o Euro e o Dólar já não era registado desde dezembro de 2002. Quanto à última vez em que o valor do Dólar superou o do Euro, indo além da paridade, também remonta a dezembro de 2002.

Mas importa ter em atenção que, em dezembro de 2016, as duas moedas já tinham estado muito próximas em valor, ao nível de 1,0364 dólares. Em janeiro de 2003 registou-se 1,0377 dólares e em janeiro de 2017 atingiu-se 1,0385 dólares. Nestas ocasiões não chegou à paridade, mas não andou muito distante.

Há exatamente 10 anos (tendo em conta a data da publicação sob análise), a 6 de agosto de 2012, o Euro estava ao nível de 1,2379 dólares. Comparado com o nível de 1,0233 dólares registado a 6 de agosto de 2022 resulta numa desvalorização de cerca de 17,3%.

No final de 2012, porém, registou-se um nível de 1,3194 dólares. Tomando esse valor como referência, afinal, a desvalorização foi de cerca de 22,4%.

Em nenhum dos casos se aproxima minimamente dos referidos 30%.

Memória da "moeda de sanita"

Em artigo de 13 de julho, o jornal "Financial Times" recorda as "memórias dos difíceis primeiros anos" do Euro, "quando caiu tão baixo que os operadores de mercado classificaram-na como 'moeda de sanita' e os principais bancos centrais lançaram uma intervenção conjunta para incutir fé no projeto".

No dia 26 de outubro de 2000, segundo os dados do Banco de Portugal, o Euro atingiu um ponto mínimo de 0,8252 dólares. Entre fevereiro de 2000 e dezembro de 2002, o Euro permaneceu quase sempre abaixo do Dólar dos EUA. Introduzido em janeiro de 1999, durante esse primeiro ano manteve-se acima do Dólar e em dezembro de 2002 foi mesmo a última vez que o valor do Dólar superou o do Euro.

Já em 2022, "a paridade com o Dólar faz sobressair o abismo cada vez maior entre as perspetivas económicas dos EUA e da Zona Euro, a qual está mais exposta às consequências da guerra na Ucrânia. A fraqueza do Euro, que aumentará o preço das importações, vai preocupar os dirigentes políticos que já estão a debater-se com uma inflação a superar recordes", salienta o jornal britânico.

________________________________________

Avaliação do Polígrafo:

Assine a Pinóquio

Fique a par dos nossos fact checks mais lidos com a newsletter semanal do Polígrafo.
Subscrever

Receba os nossos alertas

Subscreva as notificações do Polígrafo e receba os nossos fact checks no momento!

Em nome da verdade

Siga o Polígrafo nas redes sociais. Pesquise #jornalpoligrafo para encontrar as nossas publicações.
Falso
International Fact-Checking Network