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Eleições para o Parlamento Europeu têm registado “vergonhosa taxa de participação de à volta de 30%”?

Política
O que está em causa?
Em entrevista à CNN Portugal, João Cotrim de Figueiredo garantiu que assumirá as suas "responsabilidades" se não for eleito eurodeputado, rejeitando que isso coloque em causa a liderança de Rui Rocha ou que motive quaisquer leituras nacionais ou "referendo" a um Governo que acaba de tomar posse. Nesse sentido defendeu que "se queremos valorizar as eleições europeias, se queremos que não tenham esta vergonhosa taxa de participação de à volta de 30%, o pior serviço que podíamos fazer era dizer que isto é uma espécie de referendo".
© Agência Lusa / António Pedro Santos

Para João Cotrim de Figueiredo, ex-líder e cabeça-de-lista do Iniciativa Liberal nas eleições para o Parlamento Europeu, um eventual “mau resultado” dever-se-á ao próprio. Se não for eleito, assume as suas “responsabilidades“. Desde logo “porque as eleições europeias, todos os estudos o indicam, são particularmente pessoalizadas”.

Na entrevista de ontem à noite na CNN Portugal, Cotrim de Figueiredo defendeu desta forma que o resultado das eleições não coloca em causa a liderança de Rui Rocha. Sublinhou também que “há sempre a tentação nas eleições europeias de fazer leituras nacionais dos resultados”, mas considerou que isso não faz sentido.

Questionado sobre se não acredita que estas eleições europeias possam ser uma espécie de referendo aos dois meses de Governo, ou uma espécie de segunda volta das eleições legislativas, o candidato respondeu que “seria particularmente lamentável. Em primeiro lugar porque nenhumas eleições se deveriam confundir com as anteriores ou com as seguintes, por uma questão de clareza democrática. (…) A segunda razão é que estamos dois meses depois de eleições legislativas, nem sequer um voto de protesto seria razoável assumir no meio desta campanha e eleição”.

Ou seja, o que está em causa são “escolhas para eurodeputados“, pelo que “não façamos confusões entre os objetivos de cada uma das campanhas”.

Mais, “se queremos valorizar o papel de Portugal na Europa, se queremos valorizar as eleições europeias, se queremos que não tenham esta vergonhosa taxa de participação de à volta de 30%, o pior serviço que podíamos fazer era dizer que isto é uma espécie de referendo”, advertiu Cotrim de Figueiredo.

A referida taxa de participação tem fundamento?

De facto, nas últimas eleições para o Parlamento Europeu, em 2019, a taxa de participação registada em Portugal foi precisamente de 30,73% dos eleitores recenseados.

A tendência tem sido decrescente desde 1987, quando se realizaram as primeiras eleições deste tipo em Portugal, com uma taxa de participação de 72,42% que não mais voltou a ser alcançada. Em 1989 baixou logo para 51,10% e em 1994 fixou-se em 35,54%. Não voltou a superar a fasquia de 40%.

Em 1999 ainda subiu circunstancialmente para 39,93%, mas nas eleições seguintes voltou a aproximar-se da percentagem indicada por Cotrim de Figueiredo: 38,8% em 2004, 36,77% em 2009, 33,84% em 2014 e os já referidos 30,73% em 2019.

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UE

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto “EUROPA”. O projeto foi cofinanciado pela União Europeia no âmbito do programa de subvenções do Parlamento Europeu no domínio da comunicação. O Parlamento Europeu não foi associado à sua preparação e não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores do programa. O Parlamento Europeu não pode, além disso, ser considerado responsável pelos prejuízos, diretos ou indiretos, que a realização do projeto possa causar.

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Avaliação do Polígrafo:

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