"Últimas sondagens! Aquilo que a imprensa não quer mostrar, eles andam com medo! O povo dia 30 vai fazer uma surpresa ao sistema atual corrupto! Dia 30 por Portugal, pelos portugueses, vota Chega, queremos André Ventura a primeiro-ministro! Vamos acreditar", lê-se no post de 28 de dezembro no Facebook, com a imagem dos resultados de uma suposta nova sondagem referente às próximas eleições legislativas, agendadas para 30 de janeiro de 2022.

De acordo com esses resultados, o PS de António Costa está na liderança, obtendo 33,5% das intenções de voto, seguindo-se o PSD de Rui Rio que regista 25,2% e, não muito distante, o Chega de André Ventura que ascende a 18,8%. Num segundo plano aparecem o Bloco de Esquerda de Catarina Martins com 6,9%, o Iniciativa Liberal de João Cotrim de Figueiredo com 5,3%, a CDU de Jerónimo de Sousa com 4,2%, o PAN de Inês Sousa Real com 2,3% e o CDS-PP de Francisco Rodrigues dos Santos com 1,2% das intenções de voto.

Há ainda 2,6% atribuídos a outros partidos e estima-se uma taxa de abstenção de 45% dos eleitores.

A confirmar-se, seria um aumento de 17,5 pontos percentuais em relação às eleições legislativas de 2019, quando o Chega não foi além de 1,29% dos votos expressos. Mas trata-se de uma sondagem claramente falsa.

Na realidade, a última sondagem referente às eleições legislativas de 2022, realizada pela empresa Pitagórica e divulgada pela TVI e CNN Portugal no dia 17 de dezembro, atribuiu somente 6,3% das intenções de voto ao Chega. Na terceira posição, sim, mas a grande distância dos dois partidos no topo: o PS com 37% e o PSD com 31,7%.

Seguem-se a CDU e o Iniciativa Liberal, ambos com 5,9% das intenções de voto, o Bloco de Esquerda com 4,9%, o PAN com 3% e o CDS-PP com 1%. Estas percentagens resultam de uma distribuição dos indecisos. O trabalho de campo da sondagem decorreu entre os dias 7 e 12 de dezembro, tendo recolhido uma amostra total de 625 inquéritos.

Consultando o arquivo de sondagens registadas na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), aliás, verificamos que o partido Chega nunca se aproximou de 18,8% das intenções de voto referentes a eleições legislativas, ou quaisquer outras eleições em Portugal, desde a sua fundação em abril de 2019.

No que respeita a eleições legislativas, o ponto máximo do Chega foi alcançado em junho deste ano, com 10,1% das intenções de voto num barómetro da Intercampus. Mais recentemente, em novembro, obteve 10% das intenções de voto numa sondagem do ICS e ISCTE. De resto, sempre abaixo de 10% e com uma média entre 6% a 7% ao longo dos últimos meses.

As sondagens falsas ou adulteradas com percentagens extrapoladas de intenções de voto para o Chega, de tão recorrentes nas redes sociais, já se tornaram um clássico do Polígrafo. Continuamos a sinalizá-las com a devida "Pimenta na Língua".

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebook, este conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo, este conteúdo é:

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