"Esta é a nova primeira-ministra da Estónia. Tomou posse como primeira-ministra daquele país báltico da União Europeia há uma semana mas por cá não se deu pela notícia. Nem tão pouco foi falada nas redes sociais ou nos novos movimentos feministas burgueses da nossa capital. O que é estranho (ou talvez não)", denuncia a publicação em causa, dizendo mesmo que "em todo o lado esta é uma história motivadora. Menos no país acanhado e canhestro das capazes tugas e das burocratas do batom vermelho. Porque aqui só há alguma verdade a que temos direito. Não a toda".

As críticas deixadas à comunicação social, que "nada noticiou" alegadamente porque "não dá share", terminaram com a seguinte questão:

"Kaja Kallas tem 43 anos, é uma mulher emancipada, jovem, moderna (...) E é uma mulher progressista nos costumes e de mente aberta e sã. Porquê então este silêncio quando noutros casos  o tom foi sempre de encantamento, de júbilo laudatório, e de saudação de um novo e glorioso tempo de novas mulheres na política que tornariam o feminismo uma causa irresistível? Porquê então este silêncio acanhado sobre o sucesso político desta mulher jovem igualmente tão representativa dos novos tempos de progresso humano?"

Kaja_Kallas

A resposta veio a seguir: "A razão é óbvia: Kaja Kallas não é de esquerda. E a Estónia é um país profundamente anti-marxista e anti-comunista, muito traumatizado por 50 anos de brutal ocupação soviética. Kaja Kallas representa bem esse sentimento: é a líder do ER (Partido Reformista estónio), um partido liberal membro da Internacional Liberal e filiado no partido europeu da Aliança dos Liberais e Democratas pela Europa".

Será assim?

Em janeiro deste ano, Jüri Ratas renunciou à liderança governativa na Estónia, na sequência de uma investigação de corrupção que envolveu a sua força partidária, o Partido do Centro. Foi através desta demissão que Kaja Kallas, antiga eurodeputada e líder do Partido Reformista, foi designada para o cargo de primeira-ministra do país báltico, tendo-se tornado na primeira mulher a assumir aquela função no país.

De notar que o partido da liberal Kaja Kallas tinha sido o mais votado nas eleições legislativas de 2019, não tendo, no entanto, garantido uma maioria absoluta, pelo que não conseguiu formar uma coligação governamental.

Uma breve pesquisa pelo nome da mais recente primeira-ministra da Estónia deixa claro que é falso que a comunicação social portuguesa não tenha noticiado a tomada de posse. Vários jornais nacionais, como o Diário de Notícias, o Jornal de Notícias e o Público, escreveram artigos sobre a designação do cargo, não raras vezes com foco no facto de Kallas ser a primeira mulher a assumir a função.

Já em 2019, quando o partido Reformista de Kallas venceu as eleições na Estónia com 28,8% das intenções de voto, alguns órgãos de comunicação social portugueses, como o jornal Expresso ou o Público, noticiavam o feito, com enfoque no crescimento da extrema-direita, através do partido EKRE, naquele país.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

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