No dia 22 de dezembro de 2011, a Parpública, sociedade holding que gere as participações do Estado, comunicou (link indisponível) à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) que o Governo então liderado por Pedro Passos Coelho escolheu a China Three Gorges, empresa estatal chinesa, para adquirir 21,35% do capital social da EDP - Energias de Portugal.

"O Conselho de Ministros, de acordo com informação transmitida à Parpública, procedeu hoje à seleção da China Three Gorges Corporation para efectuar a aquisição da totalidade das 780.633.782 ações representativas de 21,35% do capital social da EDP", anunciou-se no comunicado. A empresa chinesa pagou cerca de 2,7 mil milhões de euros pela referida participação, tornando-se a maior acionista da elétrica portuguesa.

O valor indicado no tweet está correto e a aquisição de uma posição maioritária na estrutura acionista pode ser classificada como a assumpção do "controlo da EDP", pelo menos ao nível da gestão da empresa, ainda que condicionada pelos restantes acionistas minoritários.

A operação em causa - mais rigorosamente, a "8ª fase de reprivatização da EDP" - foi realizada no âmbito do programa de resgate financeiro da troika ao Estado português e só foi possível porque, alguns meses antes, o Governo em funções abdicou das golden share que detinha nas empresas EDP, Galp e Portugal Telecom.

Quanto à segunda parte do tweet, também é verdadeira, baseando-se numa notícia de 19 de dezembro de 2019: "A EDP vendeu seis barragens em Portugal a um consórcio de investidores, formado pela Engie, Crédit Agricole Assurances e Mirova, por 2,2 mil milhões de euros, foi hoje comunicado ao mercado", segundo o jornal Observador.

"'A EDP - Energias de Portugal, S.A. acordou a venda de um portefólio de seis centrais hídricas em Portugal ao consórcio de investidores formado pela Engie (participação de 40%), Crédit Agricole Assurances (35%) e Mirova - Grupo Natixis (25%), numa transação de 2,2 mil milhões de euros', lê-se no comunicado enviado à CMVM".

"A operação, que permitirá à eléctrica encaixar 2.200 milhões de euros, e que deverá ficar concluída só no segundo semestre de 2020, vai marcar a entrada de um novo operador no mercado da produção hidroeléctrica em Portugal: o comprador, um consórcio de empresas francesas liderado pela Engie, ficará com a segunda maior fatia do mercado (21%), seguida da Iberdrola, que terá 15% da produção das grandes barragens quando puser em funcionamento o complexo hidroeléctrico do Tâmega", informou o jornal "Público", no mesmo dia.

"Quanto à EDP, continuará a ser o maior produtor hídrico em Portugal, mas a sua quota descerá dos 100%, para 64% (com uma capacidade de geração hídrica instalada de 5,1 Gigawatts)", acrescentou.

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Atualização: Na sequência da publicação deste artigo fomos questionados por um leitor sobre o rigor da alegação de que "os acionistas encaixam 2,2 mil milhões". De facto, a EDP obteve cerca de 2,2 mil milhões de euros com a venda dos referidos ativos, mas ainda não há informação disponível sobre se esse encaixe irá traduzir-se em dividendos aos acionistas no final de 2019 (ou de 2020, pois a operação só ficará concluída no segundo semestre do próximo ano). A expressão do autor do tweet pode ter um sentido mais lato, referindo-se a um encaixe da empresa e não forçosamente um encaixe líquido dos acionistas, mas ainda assim alteramos a classificação de "Verdadeiro" para "Verdadeiro, mas", ressalvando que ainda não há dados sobre os lucros e distribuição de dividendos aos acionistas da EDP relativamente ao ano em curso de 2019.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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Verdadeiro: as principais alegações do conteúdo são factualmente precisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações "Verdadeiro" ou "Maioritariamente verdadeiro" nos sites de verificadores de factos.

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