Esta alegação vai ao encontro dos dados do estudo “Mitos e Realidades sobre a Imigração e o Mercado de Trabalho”, elaborado pela Randstad Research com o objetivo de “desmistificar perceções comuns e reforçar os factos sobre a relação entre a migração e o mercado de trabalho em Portugal” e divulgado no final de julho de 2025.
O relatório, que reúne dados de fontes como o INE, a Eurostat, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e o IEFP, indica que, em 2024, 31,6% dos estrangeiros residentes (e empregados) em Portugal, entre os 15 e os 74 anos, tinha ensino superior, uma proporção superior à média da União Europeia (27,4%).
Ainda assim, o próprio estudo mostra que um nível de escolaridade mais elevado não se traduz necessariamente em empregos compatíveis com essas qualificações. Pelo contrário, conclui que “os estrangeiros estão desproporcionalmente concentrados em trabalhos menos qualificados, independentemente do seu nível de qualificação, evidenciando uma lacuna na valorização do seu capital humano no mercado de trabalho”.
“Quase um terço dos trabalhadores estrangeiros em Portugal desempenha funções que exigem pouca ou nenhuma qualificação. Em contrapartida, os estrangeiros mostram uma representação menor em profissões de maior qualificação e responsabilidade”, destaca.
Além disso, o relatório nota ainda que há uma maior prevalência de formas de emprego temporárias para a população estrangeira em comparação com o total da população residente. Naquele ano, a percentagem de trabalhadores temporários entre os estrangeiros era de 35,8%, mais do dobro da percentagem registada para o total da população (15,9%).
Os dados do Banco de Portugal, mais antigos mas ainda assim disponíveis, também vão ao encontro desta estatística: segundo o BdP, em 2021 um total de 26,4% da população estrangeira empregada (entre os 20 e os 64 anos) tinha ensino superior. “A idade média da população estrangeira empregada é inferior à dos nacionais, situando-se em 37,3 anos e 45,9 anos, respetivamente. O facto de a população estrangeira ser em média mais nova do que a portuguesa contribui para que o seu nível de escolaridade seja em média superior”, lê-se no boletim, que especifica ainda que “73% das mulheres estrangeiras dos 20 aos 49 anos têm ensino secundário ou superior, mais 7 pontos percentuais do que os homens”.
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Avaliação do Polígrafo:


