"Como podes ver neste vídeo, isto é um verdadeiro assalto aos portugueses. Mais de 50% do que colocas de combustível é para impostos. Sim, leste bem, metade do combustível é para impostos apenas… Achas isto normal?" É desta forma que se inicia o texto da publicação em causa, a qual remete para a gravação em vídeo de uma intervenção do deputado Pedro Mota Soares, do CDS-PP, na Assembleia da República, sobre a carga de impostos nos combustíveis.

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"O vídeo é do CDS e, após um minuto, apresentam uma proposta para que os portugueses fiquem a saber o que deixam de impostos no Estado", prossegue-se no texto. "Mas no primeiro minuto, os números que eles deixam são assustadores. Até quando teremos isto, portugueses?!"

É verdade que por cada 90 euros de gasolina que os portugueses pagam, 56 euros são destinados a impostos?

A APETRO - Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas divulgou recentemente um relatório no qual calcula "o que realmente pagamos" ao abastecer um veículo com Gasolina 95 ou Gasóleo Rodoviário.

"A Apetro publica semanalmente no seu portal a estrutura do preço médio de venda ao público. Esta informação explica, claramente, o que é que os consumidores estão a pagar em cada litro de combustível que compram num posto de abastecimento", pode ler-se na página 3 do relatório, juntamente com quatro gráficos referentes às percentagens de impostos no preço de cada litro de Gasolina 95 e Gasóleo Rodoviário, além das percentagens correspondentes a cada imposto: o ISP - Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos; e o IVA - Imposto Sobre o Valor Acrescentado.

No primeiro gráfico, referente à Gasolina 95, podemos verificar que 61% do valor da gasolina é relativo a impostos. Ora, 56 euros de 90 euros correspondem a 62,2%, um valor superior ao de 61% divulgado no gráfico da APETRO. Na verdade, em cada 90 euros de gasolina, 54,90 euros são destinados a impostos.

Os valores indicados na publicação em análise são imprecisos, embora a diferença não seja muito significativa. Outro elemento a ter em conta é que a publicação baseia-se numa afirmação de Mota Soares, proferida há cerca de dois anos, na anterior legislatura. Aliás, entretanto Mota Soares já não é deputado.

Essa diferença de valores resulta da diferença temporal, isto é, os preços dos combustíveis e a respetiva carga de impostos alteraram-se ligeiramente entre 2017 e 2019. O problema é que o artigo da página "Tuga Press" continua a ser partilhado como se fosse atual.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Misto: as alegações do conteúdo são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou incompleta.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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